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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Marcelo Marrom: "Eu abomino a exploração da fé. ... hoje eu não quero isso nem pra mim nem para meus filhos"

Paulo Nailson - Quando você se descobriu artista?

Marcelo Marrom - Tudo o que eu faço na minha vida vai acontecendo de forma natural. Eu acho que é de berço. Eu vi meu pai tocar violão desde cedo. Brincando em roda de amigos. Eu iniciei como músico tocando em barzinho, bandas e depois eu migrei para o teatro, também para ajudar uma companhia de teatro a ter uma parte musical, não era nem para eu ser ator. Aí eu vi a galera fazendo graça, provocando risos, ai eu disse... “eu sei fazer isso também”, e comecei.

PN - Você leva 'na boa' essa questão do racismo. Como é isso?

MM - Eu nunca tive problemas de racismo. Eu sempre brinquei com isso. Aquela frase clássica “se te derem um limão faça uma limonada," então eu nunca sofri com isso, eu transformo essas situações em graça, em humor. Sou muito tranquilo nesse sentido. Ainda que o Brasil seja realmente muito preconceituoso e racista.


PN - Depois de tanto sucesso em programas de TV na Globo (Altas Horas), Multishow, etc, você está com espetáculo novo...

MM - "Juro que é verdade" é uma peça que eu falo em fazer graça, provoco muitas risadas e abordo um tema muito motivacional. Eu falo de conquistas, de fé, perseverança. Eu creio que é o meu melhor produto até hoje. O teatro é minha menina dos olhos, as pessoas saem emocionadas, riem, choram...

PN - Tem um livro seu, o "Fé de mais". Do que ele trata?


MM - O livro ele traz umas histórias de como eu sonhei durante 16 anos em ir ao Jô Soares, e como eu realizei esse sonho, hoje eu já tenho cinco entrevistas no Jô, na época do livro eu tinha três. O livro retrata o sonho de um jovem, e é para jovens de qualquer idade. Uma pessoa que tenha o espírito jovem vai se identificar. 

PN - Lembra um filme que eu particularmente gosto muito: "Fé demais não cheira bem", com Steve Martim, marcou minha juventude e ainda hoje gosto. Como é sua relação com o mundo espiritual? 

MM - O filme foi um dos melhores filmes que eu assisti e também marcou muito minha vida. O resumo do filme é “Deus age através de quem Ele quiser. O pastor era um charlatão e mesmo assim foi usado para curar um menino no filme e no final ele mesmo se converte. Deus não escolhe quem a gente quer que Ele escolha, ele escolhe quem Ele acha que tem que ser escolhido. Na maioria das vezes a gente discorda porque a gente se acha o bom, pois o outro é pecador não merece. Deus não aceita imposição do homem.

PN - É possível ser Cristão sem ser religioso?

MM - O Evangelho é uma tocante em minha vida muito forte desde sempre. Eu fui criado em igreja evangélica e depois tomei uma nova consciência do que é o Evangelho que a própria igreja ainda não tinha me revelado. Mas o Espírito Santo me revelou uma nova consciência do que é o Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Isso me fez um novo homem, um novo ser, uma nova criatura. De maneira que pra mim o Evangelho hoje é puro, simples. É o básico que Jesus ensinou que é “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

PN - Ou seja, abraçar o Evangelho sem o peso de ritos nem o mercado da fé...

MM - É, não tem barganha com Deus, só tem uma relação de Pai e filho. Onde eu sou o filho pecador e não mereço nada. Ele é o Pai que abençoa e tudo isso é pela Graça. Á Ele toda honra e toda glória pois isso é o que me tem feito viver feliz e equilibrado. O que me faz viver assim é o Evangelho. Não o de permuta que é apresentado em algumas igrejas, tipo barganha... evangelho do óleo, que visa o só o Dízimo, o carro da pessoa, esse é o “outro” evangelho.  Paulo lembra isso: 'Se por acaso alguém vier pregar o outro Evangelho não aceite' pois esse outro evangelho é que nos desvia. A gente acha que é por meritocracia que a gente recebe tantas graças: porque eu dei meu carro, porque eu dei meu dízimo, porque eu não traí minha mulher, porque eu fiquei um mês sem beber, porque eu estou há um mês sem bater em minha criança... Então tudo isso é devia ser obrigação natural.

PN - Você quer dizer que virou um troca. Uma espécie de exploração?

MM - Eu abomino a exploração da fé. Eu já vivi absolutamente dentro desse contexto e hoje eu não quero pra mim nem pra meus filhos. Eu já estive imerso nesse universo de onde eu consegui sair com a Graça de Deus. E vivo um Evangelho saudável, na paz de Deus. Tudo me é lícito e até o que não me convém é o Pai que me orienta não outras pessoas. Há algumas pessoas como o Caio Fábio que eu ouço e admiro, mas não são deuses, só há um Deus.

PN - O Caio é alguém muito especial também na minha vida. Sua vida hoje, até por você ter abraçado esta fé, está como?

MM - Eu estou na fase mais tranquila da minha vida. Tenho quarenta e cinco anos, três filhos, 20, 19 e 8 anos, todos compartilham da mesma mesa, mesmo pão, mesma fé e mesma alegria. Minha vida passa longe de ser perfeita, eu tenho problemas mas eu aprendi a olhar para o bem que a vida me faz e não pro mau que ela me propõe.
Costumo dizer que estou em tratamento e só vou terminar na minha morte. Quando fechar o caixão acabou. Deus está me tratando hoje. Amanhã eu quero ser um novo homem, um homem não mais velho, mais novo. O Cortela fala: “minha mais nova versão vem amanhã“. Então amanhã e depois de amanhã eu vou estar com as ideias mais puras, mais novas e mais prontas para a vida. A cada dia eu estou mais novo, velho é quem nasce hoje, que ainda não sabe de nada.

PN - Estamos terminando a chamada "semana santa", onde muitos lembram o Jesus da paixão. Quem é Jesus para Marcelo Marrom?

MM - Jesus Cristo para mim é um ser iluminado que por necessidade se destacou de Deus mesmo sendo Deus. Já era Deus numa eternidade e o próprio Deus falou “vai você em forma de filho para salvar essa humanidade aí, salvar o que se havia perdido”. Esse é o Jesus que eu prego e que eu vivo. Mesmo sendo Deus, desceu à terra, tendo o Consolador ao lado dele, que é o Espírito Santo, sem o qual nenhum de nós estaríamos vivendo dentro de uma razoabilidade. Penso que a maior prova de loucura é a ausência do Espírito Santo. Esse é o Jesus que eu creio, um cara que se tivesse aqui em Caruaru estaria simples, em lugares simples, sendo simples. Ainda que tivesse no luxo. O luxo não faz mal a ninguém o problema é o luxo tomar conta de você. O luxo ser o seu senhor. O luxo me serve eu sirvo ao Senhor Jesus Cristo.


PN - Que impressão você está levando de nossa cidade, além do calor (risos)?

MM - Essa é minha primeira vez em Caruaru. Além do calor, eu vi que o povo daqui é muito hospitaleiro. Todo mundo gosta da gente e mesmo quem não me reconheceu foi muito carinhoso com a gente, pela atenção, pelo abraço... o povo de Caruaru é um povo incrível!

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