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domingo, 23 de abril de 2017

Reflexão de Domingo: A arte de ver a arte

L'oeuvre "Le cheval blanc", peinte en 1898 par l'artiste peintre et Grand Maître Paul Gauguin, exposée au musée Musée d'Orsay, Paris, appartient au mouvement Impressionnisme.
Henri Matisse, nome de ponta da arte moderna, ao lado de nomes como Picasso e Duchamp, ao visitar uma exposição, diante de “Le Cheval Blanc”, de Paul Gauguin, ouve de soslaio o comentário algo rude de uma visitante: “Isso não é cavalo!”. Ao que o artista francês responde: “Claro que não é um cavalo, senhora -- é um quadro!”.

O que é uma obra de arte, afinal? Para que serve a arte? Ou, ainda, como interpretar a arte? Se a arte é a expressão humana por excelência da cultura, história, emoções e sentimentos das pessoas, pode tão somente ser reduzida à técnica? Arte, humildemente eu sugiro, diz respeito ao processo criativo e a um esforço de significação da angústia existencial humana. Uma forma, portanto, de não enlouquecimento diante do “mistério” da vida. A arte é uma forma de conhecimento. Ellen Dissanayake, em seu ensaio “Para que serve a arte?”, avisa que as sociedades pré-industriais nem sequer tinham um termo para descrever a arte. Produzia-se arte sem a preocupação (grega) de conceituá-la. Os fenícios, egípcios e persas produziam cerâmica e escultura de formidável qualidade estética. Eugene Peterson lembra que, enquanto os hebreus oravam (os Salmos), os gregos inventavam mitos, histórias complexas e extremamente belas para dar conta do sentido da vida e suas tragédias. Cada cultura -- China, no extremo Oriente, Roma, no Ocidente -- gerava seus poetas, artistas, artesãos. Gosto muito da observação de George Steiner: “O espelho que reflete o mundo e a vida da consciência humana é um espelho capaz de reproduzir suas próprias imagens”.

Diante de uma obra de arte podemos ser conduzidos, portanto, à valiosa informação sobre a cultura que a produziu. O que nossos filmes, peças teatrais e canções, por exemplo, dizem a respeito de nós, brasileiros? Diante de uma obra de arte podemos aprender verdades morais importantes. Basta passar os olhos sobre a magnífica arte cristã, desde mosaicos em igrejas do século sexto, como o “d’A Ressurreição de Lázaro”, passando por Rembrandt, com suas muitas cenas bíblicas, como “A Volta do Filho Pródigo”, que tanto impactou Henri Nouwen (e a mim), por exemplo. A conclusão é simples: estavam pregando sermões. Numa carta a seu irmão Theo, Van Gogh, seminarista reformado -- e frustrado --, diz: “Já que não consigo pregar o evangelho, vou pintá-lo”. Quantos sermões na grande arte! Saberemos ouvi-los? Transformaremos nossos olhos em ouvidos, como diz Peterson em “Um Pastor Segundo o Coração de Deus”?

Gerson Borges
Ultimato

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