.

.

.

.

domingo, 30 de abril de 2017

Reflexão de Domingo: Eu Vejo Você por Rubem Amorese



I see you - essa é a saudação usada pelos Na'Vi, no filme Avatar. Virou uma espécie de bordão popular. E me chamou muito a atenção.
Creio que o diretor do filme, James Cameron, quis inserir, numa simples saudação, algo que representasse uma necessidade geral, um anelo existencial de qualquer pessoa que estivesse sentado no cinema; admitisse ela ou não. O resultado seria mais um elemento de conexão entre a história e aquele que a ouve, ou assiste.
Hoje em dia é comum falar-se sobre o caráter epidêmico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A criança se mostra desatenta, hiperativa, impulsiva, impaciente etc. Pesquisas recentes revelam que esse transtorno chega à vida adulta com força suficiente para "transtornar" a vida social, acadêmica e profissional de uma pessoa.
É curioso que Cameron tenha apontado, de modo quase imperceptível, outro lado dessa moeda. A expressão "Eu vejo você" me parece denunciar outro tipo de déficit de atenção: aquele decorrente da falta de atenção recebida
Certamente, somos sensibilizados por essa saudação, quando ela atinge, lá dentro da alma, um anelo secreto: o de ser visto. Eventualmente, nem nos damos conta do fato de que ansiamos por atenção. Trata-se de uma sede da alma, que a faz suspirar, sem que saibamos por quê. Talvez ela suspire por amor e significado. Talvez ela anele ouvir: "tu és meu filho amado, em quem tenho prazer".
Suponho que o lado mais importante do TDAH esteja nas suas causas. Dentre tantas apontadas, sugiro uma que não encontrei na literatura: o déficit de atenção dos pais. Não, não me refiro ao fator genético; esse é muito documentado. Penso na atenção que dispensamos aos nossos filhos; fonte de saúde mental, física e espiritual. Matéria para missão e sacerdócio.

A revista Veja de 21/5/2011 traz, em sua seção de saúde, matéria com o seguinte título: Déficit de atenção: 8 sinais aos quais os pais devem ficar atentos. É interessante notar que não se encontra, em todo o artigo, qualquer referência à correria da vida; às carreiras profissionais dos pais; a mortes, divórcios e separações; aos orfanatos e internatos etc. A razão é simples: está-se falando dos transtornos da criança, mas não da família.
Proponho, então, uma nova linha de pesquisa a pais, pedagogos, neurologistas e psicólogos. Para os cristãos, em particular: o TDAF: "transtorno de déficit de atenção familiar", onde se buscariam sinais, sintomas, causas e soluções para a falta de atenção das famílias sobre as crianças. Posso prever que algum sacrifício (que eu chamaria de "serviço") seria requerido, no capítulo das soluções. 

Poderíamos, então, apesar de tanta demanda por nossa atenção, saudar nossos filhos, dizendo a cada um, individualmente e em nome de Jesus: eu vejo você.

Rubem Amorese


Nenhum comentário:

Postar um comentário