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quinta-feira, 18 de maio de 2017

ESPECIAL - Caruaru, 160 anos de artes, cultura e tradições. Por Professor José Urbano

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Cantada e decantada no Brasil e pelo mundo, reconhecida por sua feira –  nossa matriz social – ostentando os títulos de Princesa do Agreste, Capital do Forró, Terra de Vitalino, Berço dos Condés, Terra dos Avelozes, entre outros rótulos, Caruaru chega a mais uma celebração de 18 de maio, quando a pequena vila foi elevada à condição de cidade, nos idos de 1857.  Ocupando um extenso território de 920 km2, assumimos o desafio de conjugar progresso com tradições, cultura popular na expressão máxima de Vitalino e Nelson Barbalho, com a erudita, em nomes do quilate de Álvaro Lins, José Condé, Limeira Tejo, Austregésilo de Athayde. Caruaru, antes mesmo da sua autonomia, quando ainda era uma fazenda de gado, mostrou a sua identidade religiosa, com a capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição, cuja primeira celebração ocorreu em outubro de 1782, a pedido do nosso fundador, José Rodrigues de Jesus, homenageando sua querida genitora e a sua irmã caçula.  Essa identidade feminina se estende até os nossos dias, quando a cidade detém 53% da população de mulheres.  Em 1848, por motivos outros, a cidade fez a opção de mudar a sua padroeira, e transferiu o título para Nossa Senhora das Dores.  Geograficamente encravada no agreste de Pernambuco, no cruzamento das BRs 232 e 104, a 120 km de Recife e mesma distância  da cidade de Arcoverde, o portal do sertão, tivemos um favorecimento do escambo comercial que impulsionou a economia de feira livre.  

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Os tropeiros, primeiros personagens a cruzar as estradas com mercadorias, marcaram o  caminho do progresso.  Meu bisavô optou por essa atividade comercial.  Em 1895, chegou a locomotiva, e com ela a ruptura de novos avanços,  impulsionada pelos trens de cargas e passageiros.  A natureza nos presenteou com o morro do Bom Jesus e seus 620 metros de altitude, e o rio Ipojuca, hoje tão carente de cuidados especiais…Serra dos Cavalos se destaca como reserva ecológica, o Alto do Moura concentra a produção de artesanato, entre os atuais 350 mil habitantes da cidade e zona rural, 138 mil estão na educação, como alunos do primário até o nível superior.  Pela primeira vez na história, uma cidadã assume o Poder Executivo, e a Prefeita Raquel Lyra abraça  o desafio de manter tradições e ao mesmo tempo promover avanços nos diversos setores sociais, alimentando nossa posição de vanguarda na sociedade do interior.  Em modestos versos de minha autoria, destaco nossos vultos históricos, a partir da linguagem do cordel:  

aqui em Caruaru

as letras nos deram Condé 
o humor nos deu Ludugero
Dom Paulo Hipólito trouxe a fé 
Lídio nos deu poesias
Onildo cantou com magia, 
a feira que o povo bem quer
E continuo em poesias: 
Machadinho fez o hino
Pe. Zacarias foi professor
Ana Joaquina educadora
Álvaro Lins o escritor
Fazenda, cidade e feira
Matias fez a bandeira
José Rodrigues foi o fundador. 
Respirando ares de cultura e progresso, tantos personagens não citados aqui também fazem, como anônimos ou famosos, a grandeza dessa terra de sabores, coloridos, rostos e paisagens que foram bem denominados pelo nosso saudoso Barbalho, o País de Caruaru.
Com a licença poética de Jorge de Altinho “quem nunca foi, já ouviu falar, se você for, vai gostar, quem já foi volta sempre lá….”
Chegamos a 160 anos de idade, mais do  que um agrupamento humano, a marca de um povo forte, que vence obstáculos, supera desafios, faz um grandioso São João, se devota à religiosidade, constrói, costura, emenda, compra e vende diariamente,  tudo em nome do amor declarado por essa terra, jovem menina e faceira, a nossa Princesa do Agreste.

José Urbano é professor, historiador e defensor da cultura Caruaruense. Participa de programas com tema cultural na Rádio Cultura do Nordeste.

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