.

.

.

.

domingo, 7 de maio de 2017

Reflexão de Domingo - A Bela e a Fera por Jénerson Alves


Por Jénerson Alves

A versão cinematográfica da Disney recontando o clássico ‘A Bela e a Fera’ tem sido sucesso de bilheterias. Estrelado por Emma Watson e Dan Stevens, o elenco conta com nomes de relevância, a exemplo de Kevin Kline, Luke Evans e Emma Thompson. Dirigido por Bill Condon, o longa narra a história da jovem que habita em uma simples aldeia da França e, após ter o pai capturado por uma fera, entrega sua vida em favor dele. Com o passar do tempo, percebe que a Fera não é má, porém um príncipe que fora enfeitiçado. O amor quebra a maldição e faz os dois viverem em paz.

Entre outras versões da história, destaca-se a da escritora francesa  Gabrielle-Suzanne Barbot de Gallon de Villeneuve. Mesmo sem dispor de muitas informações sobre ela, sabe-se que em 1740 ela publicou o livro ‘La jeune américaine’, que continha, entre outros contos, ‘A Bela e a Fera’. Porém, havia alguns trechos inapropriados para crianças. Para se ter uma ideia, a Fera é um príncipe que foi deixado pela mãe para ser criado por uma bruxa na floresta, devido à guerra. Ao crescer, o menino tornou-se bonito e atraente e a bruxa que o criou se apaixona por ele e tenta seduzi-lo.

Por incrível que pareça, pesquisas apontam que a história tem um cunho real. Em 1537, nasceu na Espanha um garoto com hipertricose – uma doença que deixa o corpo todo peludo. Por intempéries do destino, ele teria ido à corte francesa, onde adquiriu destaque semelhante ao de um “príncipe” e realizou articulações importantes para a coroa. Ao casar-se, conta-se que a noiva teria desmaiado quando o viu pela primeira vez. A hipertricose também é chamada de ‘Síndrome de Lobisomem’ e teria sido o motivo para o surgimento do mito do homem que se transforma em lobo.

Curiosamente, a enfermidade faz recordar um personagem bíblico. Gênesis 25:25 fala que Esaú, neto de Abraão, nasceu “ruivo e todo como uma veste cabeluda”. A narrativa aborda que Esaú foi traído pelo irmão, Jacó, o que gerou uma grande ira e ambos passaram muito tempo distantes um do outro. Apenas no capítulo 33 o ódio se encerra. O texto diz que Esaú correu ao encontro de Jacó, “abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram” (verso 4).

Seja na narrativa judaico-cristã ou no clássico europeu, o amor – em diferentes manifestações – apresenta-se como a solução para conflitos. Em ‘A Bela e a Fera’, a protagonista consegue enxergar além das aparências e perceber a humanidade na ‘fera’. No caso de Esaú e Jacó, ambos reconheceram a própria humanidade passível de cometer erros e liberaram perdão, com cada um posteriormente seguindo seu caminho. Assim é a vida. Apenas com amor e perdão há a construção de sensibilidade no interior das pessoas.


Um comentário: