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domingo, 11 de junho de 2017

Falta agenda mínima para a cultura


SÃO PAULO - Eduardo Saron assumiu o cargo de diretor do Itaú Cultural em fevereiro de 2002. De lá pra cá, a instituição, que completou 30 anos, cresceu, passou a abordar outras formas de cultura além das artes visuais, consolidou o uso de recursos próprios na realização de suas atividades e investiu na parceria público-privada.
No ano passado, o instituto movimentou um orçamento direto de R$ 86 milhões, dos quais R$ 14,4 milhões foram incentivados pela Lei Rouanet. E, ao longo desses 30 anos, formou um acervo próprio de 15 mil obras de arte, parte das quais está na mostra “Modos de ver o Brasil”, com curadoria de Paulo Herkenhoff, em cartaz na Oca, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A exposição reúne peças históricas de nomes como Portinari, Di Cavalcanti, Brecheret, Hélio Oiticica e Lygia Clark.
Para Saron, um dos problemas centrais da cultura no país é a falta de uma política própria e a inexistência de prioridade nas principais questões de Estado. A seguir, veja os principais trechos da entrevista.

O que considera central para a cultura do país?
O Itaú Cultural surgiu dois anos depois do Ministério da Cultura e certamente foi uma das primeiras instituições privadas a serem criadas nesse modelo (no Brasil), com um objetivo concreto e uma agenda de valorizar a cultura. Por outro lado, nestes 32 anos de MinC, foram 20 ministros. Dá um ministro a cada 1,6 ano, sendo que, nesse tempo, a pasta deixou de existir pelo menos duas vezes: uma no governo Collor e no início do governo Temer. Fica difícil ter política cultural com essa alternância. Como se consegue desenhar uma política, implementar uma ação, ter um pensamento estratégico? Os dois ministros mais longevos foram o Francisco Weffort, que ficou 8 anos, durante o governo FHC, e o Gilberto Gil, que ficou 6 anos, durante o governo Lula.

E o que é preciso, então, para que se crie essa política?
Temos uma fragilidade na constituição de uma política de Estado para a cultura brasileira, quando a cultura deveria estar no centro das políticas públicas. Na medida em que ela assume um papel de centralidade, a médio e longo prazos, precisaremos de menos recursos para a segurança pública e de menos recursos até para a saúde. Agora, a cultura não é encarada como prioridade nas políticas públicas. Você vê pelos dados do orçamento e pela própria fragilidade do ministério. Por isso, a Lei Rouanet acaba sendo muito lembrada. Bem ou mal, ela está aí há 26 anos. É preciso que as empresas tenham a percepção de que injetar recursos além da Lei Rouanet é parte de uma causa.

De que maneira as empresas e as instituições podem ajudar a criar uma política cultural consistente?


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