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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Opinião: Contar para vocês: A “calçada não é nossa,” os dilemas do ‘cidadão’ que perdeu este valor cultural. por Fábio Junior da Silva

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Em um país colônia Brasil, pós-libertação da coroa portuguesa e cheios de tradições é comum todos os povos se reunirem defronte de suas casas para conversar e trocar experiência sobre diversos assuntos e crianças brincarem uns com os outros. Em dias de “luas” nos sítios, povoados colocavam-se o sofá na calçada, ou, um banco largo.
Ali se contava histórias de trancoso, assombrações, e os mitos do folclore popular d’região e falava-se de política religião e futebol – a era das famosas copas do mundo. Os adultos falam de negócios, do partido-politico e das plantações de colheitas de milho e feijão da roça de mandioca para fazer farinha e beiju. Na calçada era feito as “fogueiras” e se refirmava as amizades e davam-se de comadre e compadre e ali mesmo se fazia a tarefa da escola e os “meninos” aprendiam a nadar na calçada em ‘água’ e cheia de imaginação, e tínhamos o futebol de casa, queimada, pulada de corda, soltar fogos chuvinhas, peito de veia, e as casinhas de bonecas ganhavam vida e etc.
As histórias descritas foram vista na infância da calçada de um sitio bem distante, entendeu?  Era cultural mesmo, até o boletim escolar eram lidos, às notas para todos ouvir.
Os adultos jogam dominó e baralho naquelas partidas longas até depois da meia noite. De lá, a gente presenciavam toyotas passar, rurais e os ‘homens’ dias de sábados principalmente, às vezes em cavalo, jumento levando sua feira em grandes sacos de pano.  
Eram lá que se pedia em namoro e namoravam-se e muitas vezes casavam-se, fugindo do convencional que era a igreja. A primeira pamonha do período junino, ralada na causada com as comadres e cozida no fogão a lenha.  
Ah, estou com saudades deste tempo de menino que tudo era bem, simples e riquíssimo de valores.
A calçada na verdade, é um belíssimo poder cultural de conhecimento- aprendizagem. O rádio próximo para escutar a “voz do Brasil”, ‘ficava bem’ como as pilhas bem carregadas, para escutar o jornal e saber das notícias da ditadura-militar e depois escutar que os brasileiros eram “livres” do regime ditador. A indústria se desenvolveu vindo a começar a mudança cotidiana e hábitos do homem cidadão de hábito simples e pacato de pouco acesso às coisas supérfluas. 
A famosa “calçada” que era rodeada pelo um grande terreiro e poucos vizinhos se transformou em lugar de euforia, de gente “avexada” e parada de ônibus alternativo e comércio informal. Saudades desse tempo que menos se valorizavam as tecnologias e mais os valores humanos.  A visão da frente de casa tem muita história pra contar, foi preciso fazer uma síntese e deixa sua imaginação voar.
Em tempo atual, bem recente, sair de um “shopping-casa” em Caruaru e os seus olhos, não visualizar o mundo e não enxergar as calçadas, todas tomadas, é constatar que a calçada não é nossa?

Prof. Fábio Junior da Silva
Administrador, Pesquisador e Ativista Sustentável. 

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