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terça-feira, 20 de junho de 2017

Opinião: De Alternativo a Azulão, A Cultura da resistência! por Ailza Trajano

Maestro Forró no Polo Alternativo dentro do Galpão da Estação Ferroviária., 2014
Foto: Rafael Lima/PMC

Segura o coco, o rock, o forro, a ciranda, o maracatu, o rap, o reggae, a poesia, segura os pífanos, segura toda a cultura que por esse palco já passou e ainda passa.
Foi de um grito da alma de todos os artistas que nasceu um espaço para valorização da cultura popular, das tradições, das fusões, de toda essência que flui da  nossa gente multicultural.

Mas, como todo começo não foi fácil, e entre o sonho de ver a nossa arte num espaço de visibilidade, e o que se tinha de real, era como se fossem duas estradas com um percurso bem distinto a se fazer. E fizemos, traçamos o caminho, e  entre as pedras  foram soltando-se  as  sementes do que  um dia seriam as  flores de um jardim desejado.
Parecia ser poético, a cultura teria seu palco para abraçar toda diversidade de uma cidade que pulsa no som dos pífanos e se molda no barro, e como toda peça de barro, era preciso separar das pedras e amassar o barro. E assim se fez.

Nascia o Polo Alternativo, moldado no desejo cru de tantas vozes, tantos sons diversificados dando o tom de um novo amanhecer pra essa cultura plural que é Caruaru. No inicio dentro de um galpão que não oferecia as melhores condições de um palco para tanta cultura que se aglomerava num único espaço. E mesmo assim foram  surgindo os  parceiros, foram  somando-se  os artistas que resolveram acreditar no primeiro passo, no primeiro movimento pra dentro de um polo cultural com toda sua diversidade.

Polo Alternativo ganha o nome Azulão a partir de 2016 no lado externo do Galpão da
Estação Ferroviária. à baixo no novo local deste ano.
Saia do papel, mesmo enfrentando todos  os  cortes, todas  as  barreiras, que se colocavam diante de uma proposta de valorização da nossa arte em toda sua essência unindo o tradicional com o moderno. Era Alternativo porque descortinava-se a  linguagem do novo com a necessidade de  manter a cultura viva, era Alternativo porque os sons e gentes se misturavam numa pluralidade que a alma entende. Era Alternativo porque se tornou um grito de resistência. 

E nessa caminhada de resistência consegue-se vencer a primeira etapa, nesse palco Alternativo passou tanta gente bonita que fica difícil enumerar, e que fizeram desse palco uma bandeira de luta pela valorização da nossa cultura, dos tantos artista da nossa terra, que lutam e sonham com uma arte reconhecida  com dignidade e respeito. 
Como se diz no popular, “muitos roeram o osso”, amargaram dias difíceis com um som que  muitas vezes deixou o artista na mão, falta um retorno, faltava uma acústica, faltava um palco com uma estrutura boa, faltava camarins, mas jamais faltou a garra e a força dos que resolveram encarar o desafio e abrir o caminho. 

E eis hoje o Polo Azulão, e ao contrário do que muitos ainda acreditam, não é um lugar do diferente no circuito do São João de Caruaru, não é o lugar dos que não tem oportunidade de fazer cultura, de mostrar sua arte. É antes de tudo, um lugar de diálogo da linguagem cultural com toda sua pluralidade, é o encontro do povo com a arte, é o lugar da vida que pulsa em Caruaru desde os Bianos, os Vitalinos, os Condés, dos Bois, dos Pífanos, dos Maracatus, das Cirandas, dos Cocos, e tantos outros símbolos que temos nessa Caruaru Azul palavra, nessa grande  feira que tem de tudo que há no mundo.

A imagem pode conter: 1 pessoa, no palco e showE viva Deus, e viva a Mãe de Deus, e viva a Cultura de Caruaru! 

Gratidão a todas e todos os artistas que acreditaram e fizeram esse caminho!

Ailza Trajano
Produtora Cultural
Secretária de Cultura-PCdoB Caruaru

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