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sábado, 17 de junho de 2017

Opinião - Devolva o meu São João: Como era, como está e o que será? por Urbano Silva

Em poucas palavras, vai a minha singela opinião, após uma década trabalhando e conhecendo a produção junina de Caruaru.


1) Na segunda metade dos anos 60, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, também sofreu com a concorrência musical e sentiu uma queda em sua popularidade e vendas de discos. Tanto que lançou, em 1967, A Hora do Adeus, para fechar a sua carreira, o que não aconteceu, felizmente. Em 1984, o Rei decretou o fim da carreira, e gravou Danando de Bom, que de tão bom, vendeu 1.640.000 cópias. Tomou novo fôlego artístico até 1989, ano de sua partida

2) O forró estilizado surgiu em 1988, a partir da banda Mastruz com Leite, como destaque. E ganham visibilidade Flávio José, Alcymar, Santana, e outros “novos” cantores de forró.

3) Em 1993, chega o CD no Brasil, e começa uma mudança na relação gravadora x artistas x público. Uma década depois, declina a venda de CDs, avança a pirataria, surge o Youtube e a força da internet. Muitos “forrozeiros” não souberam entrar nessa vibe. E foram ficando pelo caminho comercial

4) Caruaru e Campina Grande duelam como Maior São João do Mundo, cachês milionários bancados por empresas. E a mídia avança...

5) 2010 os dois maiores eventos juninos do país em Caruaru e Campina Grande se rendem ao marketing, e a cultura de raiz começa a perder espaços

6) 2017, a rivalidade pega fogo. O ciclo junino pode ser sertanejo? Mas o que tocam não é sertanejo, nem cultural, é uma tal sofrência fora do contexto junino e rural. 

7) Por que tem espaços? Por investir milhões em mídia, produção de clips, comprar horários na Tv em rede nacional, alcançar 15 milhões de visualizações na internet.

8) E os nossos nordestinos? Passam 11 meses distantes da mídia, do rádio, não lançam trabalhos novos, não dão oportunidades a novos compositores, repetem mais do mesmo. Fora das redes sociais, longe da juventude, sem habilidades de auto promoção.

9) Vender CDs e DVDs? Esqueçam, lancem músicas novas, temas atuais, produzam clips e terão como competir de igual para igual. Quem não sabe, sobra, nos ensina o mestre Alceu Valença, ele próprio um alquimista musical. E quem sabe, se garante e faz ao vivo.

10) Tradição e modernidade não precisam estar em conflito, podem dividir o mesmo espaço, e que vença o melhor. Qualidade é o único fator que o tempo não desgasta, ao contrário, fortalece e se eterniza. Viva o forró, viva o nordeste, viva Luiz Gonzaga, a majestade do Baião, Pai do nosso Forró e a matriz da música Nordestina.


Prof. José Urbano, pesquisador cultural

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