.

.

.

.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Opinião: Ciclo Junino em Caruaru, antes, durante e depois por Urbano Silva

Abertura do São João de Caruaru - Foto: Joalline Nascimento/G1
Exatamente há duas semanas, Caruaru concluiu o ciclo junino 2017.
Lançando um olhar sobre o maior evento turístico e cultural da cidade,  ouvindo também os vários personagens que trabalharam direta e indiretamente no grandioso evento, temo os subsídios para uma análise do referido.
Esse ano, houve uma mudança no formato, criando polos e alcançando 17 novos espaços, segundo dados oficiais da gestão municipal. O próprio lançamento inovou, por ter sido na zona rural da cidade, na comunidade de Pau Santo.
Outro importante palco foi montado no Alto do Moura, nossa referência maior quando o tema é cultura popular de Caruaru.
A marca “na roça e na rua” foi bem aceita pela população e desconcentrou o evento do pátio Luiz Gonzaga.
Ainda durante a fase de elaboração do cilo, tivemos dois sobressaltos:  problemas técnicos na elaboração do processo licitatório para escolha da empresa de eventos, e a desclassificação da cidade no edital do Ministério do Turismo. Nesse segundo item, perdemos publicidade nos sites oficiais do Governo Federal, bem como participação em uma série de eventos que trariam para Caruaru jornalistas, pesquisadores e divulgadores do Brasil e do exterior, o que significaria novos divulgadores para o evento junino, e o potencial cultural, local e regional.
Na velocidade das redes sociais, tomou força e volume a planilha de cachês pagos a todos os artistas, de maior ou menor currículo profissional.
De imediato, algo positivo: mais de 75% da grade de programação contemplou nossos artistas da região agreste.  Antes guardado como segredo de Estado, agora amplamente divulgado, vejo esse documento como em avanço para todos.  Administração Pública deve, por dever de Lei, ser irrestritamente acessível e transparente.
Gestores não são donos dos recursos, são os seus ordenadores, ou seja, colocam em “ordem”  para fazer o funcionamento do governo. O dono do dinheiro é a população, não custa lembrar a todos.  Essa transparência não é algo novo, está contida na Constituição Federal, de 1988.
Outro detalhe é que não existe “programação gratuita”, a população vai assistir o que ela mesma já pagou, através dos impostos, hoje perversos 34% de carga tributária nacional.
Segundo ainda a Prefeitura de Caruaru, o contrato firmado com a empresa executora, foi da ordem de cinco milhões e duzentos mil reais, significativo valor num momento de crise financeira que o país atravessa.
A criação de um Edital Cultural por parte da Fundação de Cultura e Turismo, democratizou o acesso a todos os interessados, que na ocasião estipularam seus cachês.
Por essa razão, não vejo espaço para fazer questionamentos das quantias relacionadas no referido processo, mesmo tendo uma opinião própria sobre os mesmos, a partir da força e compromisso cultural dos inscritos.
Em várias entrevistas, e com  a vivência de uma década na referida Fundação, afirmo que o aspecto cultural trava uma luta para manter espaço diante da força econômica do marketing.  Lembro ainda que a programação relatou 16 dias de apresentações no pátio de eventos, quando em outros momentos já tivemos mais de 22 dias da mesma.
Terminado o evento, luzes apagadas, som desligado, fica o aplauso para todos os profissionais, imprensa, militares, civis, judiciário, gastronomia, artistas e demais que dedicaram tempo e talento para que mais um evento junino acontecesse.
O passo seguinte? Reunir por categoria e depois juntar  todos para fazer uma análise crítica, ampliando acertos e corrigindo falhas para o próximo ano.
Muito mais do que um evento, o São João e a sua  cultura é um processo dinâmico, participativo,  criativo, multi facetado, e que deixa para o futuro a marca da nossa gente.
Evolução seja a palavra de ordem, assim nossa gente espera e merece, fazendo jus ao slogan criado pela beleza poética na canção de Jorge de Altinho,  que nos denominou   A Capital do Forró.
Que venham novos tempos.
Prof. José Urbano

Nenhum comentário:

Postar um comentário