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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Garanhuns vai sediar a 32ª edição da Bienal de São Paulo

Divulgação/Mário Friedlander










Já referência pela realização do Festival de Inverno, Garanhuns vai reforçar seu potencial cultural e de difusão da arte à sociedade com a mostra da 32ª Bienal de São Paulo – Itinerâncias. O recorte de um dos maiores eventos artísticos escolheu a cidade como a única de Pernambuco a receber obras de artistas nacionais e internacionais para explorar o tema “Incerteza Viva”, de 20 de julho a 22 de setembro, na Galeria de Artes Ronaldo White e no Centro de Produção de Cultural do Sesc.
A iniciativa, que será aberta ao público, também fará parte da programação da 27ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns, já presente no calendário da cidade. A vinda da 32ª Bienal de São Paulo, que em 2016 reuniu mais de 900 mil pessoas e 81 artistas, para o município é resultado de uma parceria da Fundação Bienal de São Paulo com o Departamento Nacional do Sesc. “Levar um recorte de Incerteza Viva para o interior do Estado é romper um modelo de gestão cultural que beneficia somente o público das grandes metrópoles. Essa parceria é um excepcional rumo à inclusão”, defende o gerente de Cultura do Sesc Pernambuco, José Manoel Sobrinho. Além de Garanhuns, outras cidades também estão recebendo recortes da mostra, Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Palmas (TO), Fortaleza (CE), Bogotá (Colombia) e Porto (Portugal).
A exposição foi construída especialmente para Garanhuns e conta novamente com a curadoria geral de Jochen Volz. Trazendo o título “Incerteza Viva”, vai reunir trabalhos de nove artistas nacionais e mundiais. Bárbara Wagner, Cristiano Lenhardt – que estará presente na abertura da mostra – Ebony G. Patterson, Gilvan Samico, Jonathas de Andrade, José Bento, Leon Hirszman, Rosa Barba e Wilma Martins serão os responsáveis por propor, por meio de seus trabalhos, o exercício de reflexão aos visitantes. Além do público que vai circular, o Sesc vai focar também no acesso de estudantes do município, disponibilizando possibilidade de agendamento para escolas pelo telefone: (87) 3761-2658.
Ações formativas – Em paralelo à exposição, Garanhuns vai sediar o Festival de Inverno de Garanhuns, reunindo atividades formativas, com intermédio de do artista plástico, escritor, poeta e compositor paraense Bené Fonteles. Ele trouxe a atividade “Conversas para Adiar o Fim do Mundo”, apresentando questões também locais para o diálogo com o público.

No dia 24 de julho, ele vai participar de conversa sobre o OcaTaperaTerreiro, projeto que desenvolveu e resultou na construção de uma oca e que desperta reflexões sobre a vida indígena no Brasil. A sexta-feira (25) terá atividades nos turnos da manhã, tarde e noite. A primeira será o lançamento do livro “O Rei do Baião”, que resgata a memória do ícone musical Luiz Gonzaga, e conversa sobre o ele com a participação de Bené, autor da obra, e do pesquisador Paulo Vanderley. À tarde, os dois, com o pesquisador convidado Antônio Vilela, vão comandar a conversa “Uma tarde para Dominguinhos”, considerando o legado do artista para o Brasil. À noite, haverá exibição do filme “Martírio”, seguida de conversa do público com o diretor, Vicent Carelli, e com a equipe produtora do vídeo, que retrata a luta das tribos indígenas Kaiowa e Guarani.

No sábado (26), Bené e Vicent reúnem no palco Raonny, da tribo Funiô, Guilherme Marinho, da Xucuru e Zé Carlos, da Castainho, para refletir sobre a vida dessa população e das comunidades quilombolas com o tema “Urgências e poéticas políticas na questão indígena”. Por fim, a programação do dia 27 vai trazer os cantadores e repentistas Bráulio Tavares, Adriel Luna e Rouxinol Pereira no painel “O que sobra e o que falta na poesia – poesia é tirar de onde não tem e botar onde não cabe.

32ª Bienal – Artistas e obras


Bárbara Wagner – Em parceria com Benjamin de Burca, a artista desconstrói o fenômeno do brega no filme “Estás vendo coisas” (2016). Mostra a música, dança, cena cultural e economia que extrapolam os limites dos bairros da periferia e participam da paisagem sonora de uma cidade em suas diferenças.
Cristiano Lenhardt – Ele constrói um “mundo bicho” em “Trair a espécie” (2014-2016), onde os seres deixam de ser alimentos e ganham corpo físico e transcendência.
Ebony G. Patterson – Os retratos são relacionados à cultura popular e ao contexto de violência de diversas comunidades em Kingoston, na Jamaica. Os painéis apresentados tentam traçar paralelos entre os contextos socioculturais do Brasil e da Jamaica.
Gilvan Samico – As peças presentes na Bienal têm como referência a literatura de cordel e o Movimento Armorial, sendo o encontro com o escritor Ariano Suassuna um importante ponto de inflexão.
Jonathas de Andrade – O filme O peixe (2016) acompanha pescadores pelas marés e pelos manguezais de Alagoas. Aborda temas como o universo do trabalho e do trabalhador, e a identidade do sujeito contemporâneo.
José Bento -A obra Do pó ao pó (2016) é composta de caixinhas de fósforos sobre estruturas de bancas de camelo com pés retráteis. Propõe refletir sobre a relação que há entre o tempo e a matéria que constitui inícios e fins.
Leon Horszman – A obra Cantos de trabalho é uma trilogia filmada entre 1974 e 1976, nas cidades de Chã Preta (AL), Itabuna (BA) e Feira de Santana (BA). Em cada uma delas foram registradas imagens dos trabalhadores rurais exercendo suas atividades.
Rosa Barba – O filme Disseminate and Hold (2016) estabelece um diálogo com a construção conhecida como “Minhocão”, elevado de concreto construído em São Paulo, durante a ditadura militar.
Wilma Martins – A série Cotidiano (1975-1984) consiste em vários estágios de desenhos e pinturas que já nasceu na tela. Já em Rio de Janeiro com cristais (1986), são retratadas as possibilidades de revelação da vegetação exuberante e às construções urbanas de lugares supostamente triviais.
Serviço 
32ª Bienal – Itinerâncias: Festival de Inverno de Garanhuns
Galeria de Arte Ronaldo White e Centro de Produção Cultural do Sesc Garanhuns – Rua Manoel Clemente, 136, Centro
20 a 29 de julho – segunda a sábado, das 9h às 21h
31 de julho a 22 de setembro – segunda a sexta-feira, das 9h às 21h
Gratuito

Programação – Ações formativas
Ocataperaterreiro na Bienal São Paulo
24 de julho, das 16h às 19h, na Galeria Galpão do FIG

Lançamento do livro o Rei do Baião
25 de julho, às 10h, na Praça da Palavra do FIG

Uma Tarde para Dominguinhos
25 de julho, das 16h às 19h, na Galeria Galpão do FIG

Exibição do filme “Martírio” e debate com Vincent Carelli
25 de julho, às 18h40, Cine Eldorado

Urgências e poéticas políticas na questão indígena
26 de julho, das 16h às 19h, naGaleria Galpão do FIG

O que sobra e o que falta na poesia
27 de julho, das 16h às 19h, na Galeria do Galpão do FIG

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