13/09/17

Encontro debate pesquisa na área da cultura

Muniz Sodré vai abrir programação do evento - Foto: Divulgação
O maior e mais tradicional evento sobre pesquisa no campo da cultura no Brasil chega a 13ª edição. O Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult) começou desde ontem, 12, no auditório da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com palestra do professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Muniz Sodré, referência na pesquisa em comunicação e cultura no país, que vai debater a cultura como crise.
A programação de abertura conta, ainda, com uma mesa-redonda com a historiadora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História da universidade baiana, Wlamyra Albuquerque, pelo poeta, compositor e diretor do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, José Carlos Capinan, e pela historiadora, pesquisadora feminista e professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UFSC), Marlene de Fáveri.
"A ideia do Enecult, desde a a criação, em 2005, é criar um espaço para que as pessoas que pesquisam na área da cultura pudessem dialogar, fazer redes, construir uma espécie de intercâmbio", explica Renata Rocha, coordenadora do evento.
O encontro, organizado pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult/Ufba), se estende até a próxima sexta-feira, no Campus de Ondina da Ufba. Além da apresentação de artigos em 14 eixos temáticos, serão promovidos minicursos, simpósios, relatos de experiências e encontros de redes.

Atualidade
Um dos objetivos do encontro é debater temas atuais. O evento não tem uma temática única, mas o assunto cultura e crise será o centro da mesa de abertura.
"Vejo a crise como algo inerente à cultura. Toda cultura vive de crise. A produção cultural vive da crise de determinadas situações estabelecidas, de determinados aspectos institucionais. A cultura cria exatamente em cima da crise. A crise da cultura é uma crise estrutural", afirma o professor Muniz Sodré.
"A cultura brasileira é reprodutiva dos momentos de crises institucionais. Foi exatamente em meio à ditadura militar que a música popular da classe média floresceu, foi extremamente criativa. Desde a Bahia, com Gil e Caetano, chegando ao Rio de Janeiro, com Chico Buarque. Foi assim no jornalismo, com O Pasquim, e a imprensa alternativa", acrescenta.
A historiadora Wlamyra Albuquerque também avalia que a crise atual não é apenas conjuntural e têm muitas nuances. "Instituições que julgávamos sólidas, como o Estado democrático moderno, por exemplo, estão vacilantes, em risco e sob suspeição. Padrões de comportamento, ideologias, concepções de cidade e mesmos identidades coletivas estão sendo questionadas, postas em xeque. Se pesarmos que a cultura é o solo no qual estas questões crescem, a gente pode perceber que o terreno é movediço e indeterminado", ressalta.
O Enecult visa abarcar nas discussões toda e qualquer pessoa interessada nos estudos do campo cultural, para além dos pesquisadores e estudiosos. Assim, todas as atividades são abertas ao público de acordo com a disponibilidade de vagas, mas a entrega de certificados é restrita aos inscritos. A programação completa está disponível no site www.cult.ufba.br/enecult.
Fonte: atarde.uol.com.br

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