"As famílias, quando eu era jovem, eram meio repressivas com essa história de arte, diziam que não iam deixar suas filhas seguirem essa carreira porque senão elas iriam virar prostitutas. Meu pai era a favor e a minha contra. Eu era a favor de mim mesma, do que eu queria. Minha mãe não gostava, dizia para eu fazer outras coisas. É interessante que quando você quer de verdade, você vai.
Mas você precisa enfrentar o preconceito, o afastamento, as caras feias, as bobagens que dizem para você. Hoje em dia as coisas estão diferentes. No meu tempo, a gente queria representar. Hoje, se você tem um olho azul, um sorriso bonito, uma pele e o corpo, está feito. Antes precisava ter o talento, a vocação. Tem muitos atores que não precisavam estar aí, muitos. Estão porque a carreira tem glamour, eles pensam no carro, na piscina, no tapete branco, na moto. Nunca pensei em piscina. Quando era menina eu nem sabia o que era piscina, era pobre. Já vi ator que não sabe ler direito, uma condição sine qua non para a profissão.
Hoje, a profissão se cerca de um glamour até exagerado. As pessoas acham que todo ator é milionário e tem uma vida perfeita. Não somos intocáveis. Também vamos para o hospital, casamos, descasamos, ficamos desempregados... Nunca me deslumbrei. Nasci pobre, filha de pais comerciantes. Sempre sonhei, mas nunca tirei os pés do chão.
Acho que nessa pressa de querer ser ator, de aparecer no vídeo, ter um carro, o sofá branco, o ator esquece que ele tem obrigação de ser culto, de ir à escola, de estudar a vida inteira
Vou fazer 90 anos, nunca fiz cirurgia plástica. Tinha uma colega que dizia que minha autoestima era grande, porque eu sempre confiei na minha cara do jeito que estava. Não tenho problema algum com minhas rugas. Meu rosto reflete a minha vida, a minha alma, o que amei, o que sofri... Eu me gosto assim.",
Laura Cardoso, Atriz
(Sites Revista Veja, O Globo, Programa Provocações)
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