02/10/17

Teatro do TEA começa a se reerguer dos escombros deixados pela chuva

Fábio Pascoal e Arary Marrocos com equipe de trabalho. Meta é entregar o novo teatro em 2018. 
Os grandes pesquisadores e artistas são responsáveis pelo encanto do passado histórico, onde podemos ver registro do sentido da arte com o homem das cavernas. Assim, ao longo do desenrolar da história da humanidade as artes cênicas sempre tiveram papel relevante na formação da sociedade.

Em Caruaru, é incontestável o legado construído pelo TEA desse sua fundação. É Ponto de Cultura e Patrimônio Vivo de Pernambuco. E agora, a entidade precisa do apoio de toda sociedade para reerguer seu teatro. Apesar de ser considerado por Lei Municipal um órgão de Utilidade Pública (lei 3762/96) o TEA, Teatro Experimental de Arte de Caruaru, não conseguiu até agora receber nenhuma verba por parte do poder público. Mesmo após uma mobilização por parte dos vereadores, quando o vereador Fagner Fernandes teve requerimento aprovado solicitando auxílio do Executivo para reconstrução do Teatro Lício Neves. 

Quem visita o local vislumbra o histórico espaço cênico reerguendo-se rapidamente. Isso só é possível a solidariedade de amigos, empresários e até mesmo doações de voluntários que, sensibilizados pelo que aconteceu e compreendendo a importância do trabalho desenvolvido ao longo de mais de meio século da entidade, tornam realidade o sonho de reinaugurar o teatro em breve.


Teatro teve toda sua estrutura comprometida pelas fortes chuvas de maio, precisando ser totalmente demolido.
O que pode se esperar do Novo Teatro?

Além do caráter revolucionário do FETEAG, que tem mais uma edição este mês de outubro, segundo Fábio Pascoal, procurador e curador do FETEAG é visível seu amor e dedicação a arte, que já somam 36 anos de produções relacionando Brasil e mundo e, colocando na agenda internacional o teatro caruaruense. Fábio nos falou com exclusividade sobre o projeto do novo teatro.

O espaço físico do teatro aumentou e ganhou outra logística, absorvendo a concepção e evolução dos últimos tempos, em compasso com as transformações sociais da dramaturgia. Possibilitando estreitar relação entre o teatro e a sociedade.

Modelo tradicional

Os teatros mais antigos que se conhecem são os da Grécia, construídos em encostas escavadas, cobertas por fileiras de arquibancadas semicirculares; eram ao ar livre, os assentos eram dispostos numa colina inclinada e o palco era apenas um relvado. Os teatros Romanos se situavam longe das colinas e o palco constituía uma unidade junto com o auditório semicircular. Havia anfiteatros enormes, como o Coliseu Romano, que pareciam teatros duplos com uma arena central.

Segundo nos contou Pascoal, o formato do novo Teatro Lício Neves vem inspirado numa concepção moderna de teatro do século XX. Têm um pouco das características do teatro feito em praças da Idade Média que tinham galpões ou áreas abertas, às vezes com arquibancadas móveis que modificam a configuração do teatro para cada espetáculo. "Isso vai possibilitar estabelecer uma relação maior entre atores e espectadores e facilitar adequar aos ensaios, dinâmicas e até mesmo espetáculos que interagem mais com a platéia" explicou. 
A proposta remonta ao pensamento de Bertolt Brecht que já não acreditava que o espaço físico de um teatro à italiana fosse capaz de abrigar a cena moderna, buscando um novo fazer teatral. Não bastando eliminar a distância entre o expectador do espetáculo. Era preciso tornar a platéia consciente, enquanto os encenadores buscavam a verdade no fazer teatral, acreditando que o espaço físico não poderia ser um fator limitante. 
A produção arquitetônica brasileira, em geral, não aderiu a esse modelo, mas por outro lado passa a existir cada vez mais a ideia dos espaços evoluindo para teatros experimentais.
Outro fator que facilitará um só vão livre, é a vocação de formação de novos atores e atrizes que o TEA tem, calcula-se que mais de dois mil atores e atrizes já receberam oficinas com professores do TEA.
Assim, num futuro não muito distante, sentiremos o prazer de contemplar com os olhos o novo Teatro Lício Neves que está sendo planejado observando os elementos teatrais – linguagem, interpretação, cenário e iluminação – de maneira a transpor barreiras entre palco e plateia. 

Doações em espécie: Banco Santander. Agência: 4017.
Conta: 13000062-6 Favorecido: Teatro Experimental de Arte
SEQUENCIA DE FOTOS DESDE DEMOLIÇÃO E RECONSTRUÇÃO

Teatro Experimental de Arte vai passar por reconstrução / Foto: cortesia



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