O Carnaval é
sinestésico
Eu respiro, vejo,
sinto, toco
Tudo ao mesmo tempo
Todos os meus sentidos
misturados
Ativados, conectados ao
todo poético
Respiro a beleza das
fantasias
Sinto nos meus pés
As marchinhas das
ladeiras de Olinda
Ouço o colorido dos
confetes
Queima na minha língua
O gosto da harmonia dos
foliões
Que se tornam um só
Explodindo na minha
boca
Em pulos e cantoria
O Carnaval é
sinestésico
Sinestesia que desperta
meu ser
E confunde minha mente
Me faz ver o cheiro de
cachaça e suor
Ouvir a troca de
olhares da multidão
Faz pulsar na minha
pele
As risadas, os
protestos e o amor
Sinto o adocicado
Do andar nas pontes do
Recife
E o cheiro das trocas
de saliva
Em meio à passagem dos
blocos e bonecos
O Carnaval é
sinestésico
Envolvente também
Me envolve em seus
braços
Como um polvo com sua
presa
Me enrola e me mexe
Muda meus sentidos
Me transforma num único
corpo pulsante
Ardente Sensível a
todas as sensações
Me transborda de poesia
Até que eu, finalmente,
exploda
Desintegre
E vire o próprio
Carnaval.
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