
Albert Camus foi um autor francês vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1957. Nascido na Argélia em uma família de descendência francesa, ganhou uma bolsa para estudar em Paris. Em 1940 devido a segunda guerra mundial, precisou retornar a Argélia e foi nesse contexto sombrio que escreveu sobre o que há de mais trágico na existência humana: o absurdo. “O Estrangeiro” é a obra mais famosa de Camus e tornou-se uma das principais obras da literatura existencialista francesa.
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, conhecemos Meursault, um pacato funcionário de escritório. Já nas primeiras páginas o protagonista recebe a notícia da morte da sua mãe, que estava vivendo em um asilo há três anos. Assim passamos a acompanhar sua ida ao velório, e seu comportamento durante a semana seguinte.
“Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei. Recebi um telegrama do asilo: “Mãe falecida. Enterro amanhã. Sentido pêsames”. Nada quer dizer. Talvez foi ontem.”
Na segunda parte, acompanhamos as consequências do assassinato que cometeu (isso não é spoiler). Ele envolve-se em sérios problemas ao ajudar seu vizinho a se vingar de um árabe que o persegue. O assassinato que ele comete é banal e sem motivo aparente. O próprio Meursault não compreende bem como e porque cometeu o crime.
“Então atirei quatro vezes ainda num corpo inerte em que as balas se enterravam sem que se desse por isso. E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça.”
Meursault se mostra indiferente ao enterro da sua mãe e em todas as relações que vive. Seja no trabalho, relacionamento amoroso ou amizades. Sua passividade pode chegar a incomodar o leitor em muitos momentos, e é isso que o torna complexo. Há quem leia e pense que as atitudes dele demonstram frieza e até traços de sociopatia, mas percebo que pode existir outra interpretação, onde nosso protagonista pode possuir uma faceta racional e que pode até existir um equilíbrio na sua forma de ser.
Quantas vezes teatralizamos a nossa existência para corresponder ao que esperam de nós? E esse aspecto fica mais aparente na fala do promotor durante o julgamento, pois fica claro que Meursault não está sendo condenado pelo óbvio, ou seja, o crime de assassinato. Apontam sua indiferença, sua falta de desespero, o fato de ter feito coisas comuns como fumar ou ir tomar banho de mar logo após a morte de sua mãe, ou até por ter colocado sua mãe em um asilo, embora existissem evidências de que ela estava mais feliz lá, pois tinha amigos da mesma idade e até um namorado.
Não sei as intenções do autor ao abordar esses temas nessa história, mas é certo que precisamos ler com bastante atenção, embora a narrativa seja simples, e mergulhar nas sensações psicológicas do protagonista. Ele não conquista a nossa simpatia, mas certamente nos faz pensar sobre as possíveis interpretações a respeito desse personagem.
Nota: 5/5
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