
Há! Me desculpem a ousadia de querer falar de amor. Não, não é fácil mas muito aprendi esses dias que passei internado em uma Unidade de Terapia Intensiva/ UTI - coronariana e vi que o tempo de Deus nada tem a ver com o que rege nossas vidas. Ali aproveitei e visitei a Clarice Lispector. Decidi que farei como ela “ao acordar todos os dias vou tirar a poeira da palavra amor”. Vou descomplicar, não o quero mais entende-lo, basta saber o quão valioso, incondicional, único e perfeito é o amor, que procede de Deus.
Estar internado não é uma experiência agradável quanto mais em uma unidade de tratamento intensivo (UTI), que nos traz uma conotação de gravidade e risco de morte. Estamos afastado de tudo o que nos identifica: de nossas atividades, de nossa família, de todos os nossos pertences, ficamos restrito a um leito onde se revela a precariedade da condição humana. Imaginemos! Aparelhos acopladas ao nosso o corpo o tempo todo, eletrodos, aparelhos de pressão arterial, sensores de frequência cardíaca e respiratória, acompanhamento da saturação de oxigênio do sangue e de surgimento de arritmias cardíacas, enfim inspiramos cuidados especiais, necessitamos de monitorização constante dos nossos sinais vitais.
Naquela primeira noite me senti inteiramente impotente à espera da cirurgia marcada, para as primeiras horas da manhã seguinte. A parafernália de aparelhos e equipamentos parece nos dá a princípio a ideia de que tudo está bem, mas logo vemos que é pura imaginação. Na verdade, o que nos sustenta é o amor de Deus.
Há! o amor de Deus se manifesta naquele reencontro com meus filhos Pedro Henrique - dois aninhos – e minha filha Vitória, os quais estavam na casa da tia, enquanto a mãe me buscava no hospital para virmos para casa depois de nove dias internado, foi assim:
Estou sentado em volta da mesa na cozinha a espera deles, quando inesperadamente a Vitoria entra correndo: - papai, papai e se joga em meu colo, me abraça cruzando seus braços em meu pescoço muito fortemente. – Oi filha, e mais nada tive tempo de pronunciar. – saudade, que saudade papai! e baixinho ao pé do ouvido pronunciava, te amo papai, te amo papai, você é meu. Quase não conseguia ouvi-la pois a emoção misturava-se com o soluçar do nosso choro que se fazia acompanhar pelo da sua mãe e de sua tia Marluce ali presenciando aquele momento tão singular.
Naquele momento tentei apaziguar aquela situação, lhe fazendo algumas perguntas coisas a exemplo como vai à escola? Tens ido para a natação? e por ai fomos seu emocional equilibrando quando de repente ela murmura novamente em meu ouvido: - que felicidade papai, nunca mais o senhor vai para o hospital. – Não, não vou filha, se Deus quiser.
Em seguida a mãe lhe diz – Vitoria, sua tia Ana vem lhe buscar para lhe levar num aniversário, - estar bem mamãe. Quando se aproxima da hora da tia chegar a mãe mandou que ela fosse trocar de roupa – não! Não vou, não quero ir e assim passamos o final de semana em casa, eu, ela, o Pedro e sua sua mãe.
Na segunda vestiu a farda do colégio, e me abraçando disse: meu pai, você é meu, te amo, te amo.
Acredite, confie em Deus!
Agildo Galdino Ferreira
Membro da Academia Caruaruense
de Cultura, Ciências e Letras
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