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A necessidade de um ensino mais crítico, criativo e comprometido com a mudança social vem crescendo em uma nova visão. Porém, ainda a criatividade esbarra e acaba sendo vencida pela cognição, tornando deficitário o desenvolvimento total da pessoa.
Há que se quebrar alguns tabus que não estão totalmente resolvidos e dizem respeito ao relacionamento de poder entre professor e aluno. O ensino, de certa forma está muito ligado ao conceito de autoridade. Nas experiências anteriores, o centro de atividade era o professor. Com a proposta do ensino novo em deslocar o centro de interesse para o aluno, brotou de todos os lados um profundo questionamento sobre o princípio de autoridade.
Paulo Freire (1967, p.67) diz que o diálogo não pode verificar-se na relação de dominação. A relação que se estabelece entre um professor que sabe que o estudante não sabe e um aluno que sabe que o professor sabe é uma relação de dominação que fixa hierarquicamente essa relação. Isso pode se resumir em: “Como posso dialogar, se alieno a ignorância, isto é, se a vejo sempre no outro, nunca em mim?”
Por isso, a questão da autoridade, por sua complexidade, merece de todos uma reflexão mais demorada, quando concluímos que na escola vários aspectos concorrem para essa relação de autoridade e poder. Estão incluídos nesse contexto e se relacionam entre si política, educação, trabalho, família. No centro estão as figuras do professor e do aluno. O professor com a função de reproduzir conhecimentos sobre o sistema e ao mesmo tempo questioná-lo.
Ainda sobre as relações de poder na educação, somos todos influenciados pela ideologia dominante, ou seja, o progresso tecnológico que caminha de mãos dadas com a ideologia de mercado, em nome dos quais há a exploração, alienação e domesticação de milhões de homens e mulheres que são mantidos, através de uma cadeia de processos, pelo efeito dominó.
A pratica pedagógica no ambiente escolar tem força em seu discurso. Ele pode esconder ou escancarar realidades, menosprezar ou prestigiar aqueles a quem se dirige confundir ou esclarecer dúvidas. Enfim, ele tem o poder de anunciar a educação da adaptação ou a educação da transformação.
Uma educação emancipatória, para a autonomia requer uma formação cada vez mais significativa e consciente, durante toda vida dos indivíduos. Reafirmo aqui a importância do trabalho educativo numa perspectiva de democracia, conjunto e compromisso.
O modo de ensino requer professores reflexivos aos valores do intelecto e instigadores da crítica dos jovens, homens e mulheres livres, com uma dedicação especial. O professor deve estimular e incentivar o aluno a explorar as diversas possibilidades na experiência cotidiana; O material didático precisa estar organizado para encorajar a reflexão. O conhecimento deve ser produzido continuamente por meio de ações reflexivas. O aluno precisa ser participante no processo de criar, planejar, executar e avaliar o conhecimento de forma investigativa. A avaliação deve ter função recursiva para a reflexão crítica, essencial para a transformação contínua da experiência, não baseada em notas, mas em metas, com um papel construtivo. É mais uma etapa do diálogo da integração que desenvolve saberes intelectuais e sociais.
Contudo, uma aprendizagem emancipatória mais consistente, para a autonomia, precisa muito mais que atitudes isoladas e ações esporádicas. É preciso levar-se em conta o âmbito em que se desenvolvem as ações educativas, os envolvidos nesse processo, a coerência dos procedimentos que se adotam; o que se tem, o que se pode fazer, clareza e pesquisa sobre o cerne de toda problemática envolta na educação, para ações mais fundamentadas, maiores adesões conscientes na luta por uma educação realmente para todos.
*Rivio Xavier Jr. é colunista, professor historiador, jornalista e escreve semanalmente para o Jornal de Caruaru e para o Blog do Paulo Nailson.

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