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Grandes nomes da humanidade vêm de famílias humilde. Assim também foi com Rembrandt Harmenszoon van Rijn. Nasceu dia 15 de julho de 1606, em Leiden, Holanda, ele teve oito irmãos, sendo o quinto filho de um simples dono de moinho às margens do Rio Reno. Seu talento para as artes despontou ainda na infância, mas graças a muito esforço conseguiu fama e prosperidade na fase adulta.
Entre as obras de Rembrandt, uma chama-me especial atenção. Trata-se do quadro ‘O retorno do filho pródigo’, pintado em 1668. No século XVIII, o quadro foi adquirido por Catarina, A Grande, e levado para São Petesburgo, na Rússia, onde atualmente integra a coleção do Museu Hermitage.
A pouca luminosidade do quadro é característica do Barroco, mediante o contraste ‘chiaroscuro’. A cena representada na obra é da famosa parábola do filho pródigo, narrada no Evangelho de São Lucas, capítulo 15. Mais especificamente, o trecho a partir do versículo 20, quando o jovem arrependido retorna ao lar e é recebido carinhosamente pelo pai. O irmão mais velho, porém, observa com desprezo o jovem que retorna.
Através do jogo de luzes, Rembrandt consegue passar uma mensagem maravilhosa. O brilho que emana da face do pai ilumina totalmente o filho mais novo. Porém, esta luz clareia apenas parcialmente o rosto do filho mais velho.
Outro detalhe emocionante da peça está nas mãos do pai. Enquanto a mão esquerda do genitor é viril, musculosa e larga, a mão direita é macia, meiga e delicada. Uma é masculina e outra é feminina. Ou seja, é um pai que ama feito uma mãe. É, ao mesmo tempo, segurança e carinho.
A representação do filho arrependido é a de uma existência completamente perdida. A roupa esfarrapada e a cabeça raspada mostram uma perda de identidade. Os pés apresentam solados que traduzem cansaço, uma longa e penosa jornada, de quem provou o fel da humilhação.
O filho mais velho, porém, é indicado com um sinal de altivez. Impassível, com um olhar um tanto misterioso, aparentemente não sente o mínimo de empatia pelo irmão que pede clemência.
Através desta obra de arte, um dos mais proeminentes do barroco europeu consegue traduzir uma das mensagens mais profundas da teologia cristã. Todos os seres humanos são, de certa
forma, como o filho pródigo. Todos precisamos do amor de Deus. Às vezes, só nos damos conta disso quando nos perdemos pelas estradas deste mundo sem sentido. Alguns de nós, entretanto, são iguais ao irmão mais velho – insensíveis ao pranto do próximo. Desta forma, negando a identidade do pai e também carentes de seus pacientes ensinamentos. Finalmente, o pai é Deus, expresso na figura do Senhor Jesus Cristo. É um Deus que se curva para abraçar uma humanidade caída, corrompida e sem rumo. Cabe a nós reconhecermos nosso estado de distanciamento dEle e aceitar o Seu amor. Ele nos iluminará e se alegrará, pois quem “estava morto, reviveu; quem estava perdido, foi encontrado”.

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