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| Foto: arquivo pessoal do colunista |
Tropas defendendo a Coroa Portuguesa
cercaram o Capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, com a
ordem de prendê-lo. O brigadeiro português Manoel Joaquim Barbosa de Castro, enviado
pelo governador de Pernambuco, leu as acusações de que Leão Coroado estaria
compondo uma conspiração que envolvia setores dos comerciantes, de militares e
membros da Igreja. Lidas as acusações, o oficial teria declarado: “O Senhor
está preso em nome do Rei”. Leão Coroado, sem titubear, saca sua espada,
transfixando o coração do emissário, e declara “O senhor que está morto”. Em
seguida, o governador enviou reforços, os quais foram abatidos a tiros. Após
esse episódio, o governador de Pernambuco teve que se refugiar no Forte do
Brum, onde foi cercado. Tal cena habita o imaginário popular dos pernambucanos
e dos nordestinos de modo geral. E, assim, de forma espetacular, digna de
grandes filmes de ação, tem início a Revolução Pernambucana de 1817.
Essa Revolução teve abrangência em
todo o atual Nordeste brasileiro. Seu programa consistia principalmente na
Independência Nacional e criação da República. O governador foi deposto pelos
revolucionários que formaram um novo governo, declarando a República. A junta
governativa incluía Domingos José Martins, o padre João Ribeiro, Manuel Correia
de Araújo, Domingos Teotônio Jorge, e José Luiz Mendonça. Sendo, em seguida,
convocada uma Assembleia Constituinte. Era uma revolução que contava com a
participação de setores burgueses, militares, clericais, intelectuais, setores
médios, amplo apoio de camadas populares e escravos libertados. Surgiu como uma
típica revolução burguesa contra uma monárquica, somando-se aos aspectos de
independência nacional.
Chegaram a enviar emissários para
buscar apoio em outros países, como Antônio Gonçalves da Cruz, conhecido como
Cruz Cabugá, que foi para os Estados Unidos. Lá este tinha uma missão ousada.
Deveria, além de obter o apoio daquele país, também comprar armas e recrutar
revolucionários franceses que lá estavam exilados. Também fazia parte do plano
a ideia de se resgatar Napoleão Bonaparte, que estava preso pelos ingleses na
Ilha de Santa Helena.
A Revolução Pernambucana de 1817
encontra-se como parte de uma onda de revoluções que levou à independência
vários países das Américas, e foi inspirada pelos ideais liberais da Revolução
Francesa. Enquanto a Europa havia sido sacudida pelas guerras napoleônicas, as
colônias espanholas iniciaram seus levantes. No Caribe, o Haiti conquistou sua
Revolução de Independência em 1803, sendo o primeiro país das Américas a abolir
a escravidão pelas mãos dos próprios ex-escravos. O Paraguai teve sua
independência em 1811, a Argentina em 1816, e na década de 1820, houve uma
sequência de emancipações das colônias espanholas. A ameaça napoleônica na
Europa fez o Rei português mudar-se para o Brasil em 1808, o que gerou altos
custos para a população e o aumento de impostos para sustentar a Coroa.
A revolução chegou no interior do
atual Ceará, com seminaristas divulgando o programa revolucionário; e teve
adesão na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Alagoas. A reação do governo
português contou com a mobilização de tropas do Rio de Janeiro e da Bahia, onde
houve grandes enfrentamentos. Mas, o fato é que o triunfo revolucionário durou
pouco, cerca de três meses, e os setores das oligarquias locais aliados ao Rei
D. João VI, conseguiram derrotar a Revolução, com uma forte repressão e a
execução dos revolucionários.
Poucos anos depois, ainda houve uma
segunda tentativa de instauração da República, em 1824, por meio da
Confederação do Equador, duramente reprimida pelo imperador D. Pedro I.


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