27/03/19

Em prosa e Verso - Flores de plástico - por Jénerson Alves


E a senhora fazia flores de plástico de forma artesanal. Com mãos enrugadas e habilidosas, moldava cada detalhe do objeto. Rapidamente tecia as pétalas, as 
folhas... até o vaso onde punha os mais variados tipos de flores.

E eu me pus a pensar... estas flores são tão bonitas, mas não têm cheiro! Têm cor, mas não têm vida. São fixadas em vasos, mas não precisam de água, nem da luz solar. Não crescem, não murcham...

E eu pensei mais ainda... se nossa vida é como uma flor, quantos querem fazê-la uma flor de plástico! Como se fosse possível moldar cada detalhe do nosso amanhã... como se as pétalas da existência pudessem ser transformadas à nossa imagem... como se os espinhos e os aromas não fossem selvagens...

E eu suspirei... quão vã é nossa tentativa em querer a rédea total sobre nossa vida!

E mais ainda! Quão inútil é pensar que podemos fazer flores de plástico a partir da vida dos outros! No máximo, o que conseguimos são flores – bonitas, sim, é claro –, mas sem cheiro, sem vida...

Sim. As flores precisam crescer. E precisam murchar também. A diferença é o que é feito neste intervalo. É preciso beijar a brisa, alimentar o pássaro, embelezar o campo.

Sabedoria é reconhecer que não podemos mudar tudo à nossa volta. Mas podemos mudar a nós mesmos. Sabedoria é reconhecer que tudo é efêmero. Que a vida foge, assim como a flor murcha. Nossos pais, nossos irmãos, nossos vizinhos, nossos amigos, nossos trabalhos, nossas alegrias (e até nossos problemas) fazem parte da flor da nossa vida, mas tudo cessa. Tudo murcha. 

Tudo desvanece como fumaça que se espalha pelo ar. Então, daí a urgência em amar. Amar nossos pais, nossos irmãos, nossos vizinhos, nossos amigos... enfim, amar a nós mesmos, para também amar os outros. E, principalmente, a 

Deus, que nos deu a vida e um dia nos perguntará o que fizemos com ela...
A flor de plástico pode demorar até 300 anos para ser decomposta. A flor da vida nasce e morre... mas, antes viver uma vida que murcha e morre do que uma vida ‘de plástico’, sem perfume, sem dores, sem risos, sem vida...


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