05/04/19

Alergia Alimentar é o tema central da Semana Mundial


A Semana Mundial da Alergia, entre os dias 7 e 13 de abril, traz como central deste ano “Alergia Alimentar: Um problema Global”. Organizada pela World Allergy Organization (WAO) e pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) , o objetivo é conscientizar a população sobre o diagnóstico, tratamento e prevenção.  Mais de 170 alimentos são considerados potencialmente alergênicos, no entanto, existem vários mitos que precisam ser desmistificados em torno deste tema. “Na infância, os alimentos com maior potencial alergênico são leite, ovo e trigo. Na fase adulta, os mais comuns são os frutos do mar, o camarão. Mas a alergia pode surgir em qualquer fase da vida. O importante é que as pessoas possam de forma consciente ter acesso à orientação correta”, afirma o presidente da ASBAI em Pernambuco, Waldemir da Cunha Antunes Neto.

No Brasil, não há estatísticas oficiais, porém, a prevalência parece se assemelhar à literatura internacional, que mostra cerca de 8% das crianças com até dois anos de idade e 2% dos adultos sofrendo algum tipo de alergia alimentar. Considerada um problema de saúde pública, a alergia alimentar está aumentando em todo o mundo. Apesar de poder se manifestar em qualquer época da vida, o quadro geralmente se inicia na infância. Dependendo do alimento e mecanismo envolvidos, a alergia pode se resolver até a adolescência ou persistir por toda a vida. “Para qualquer alergia o fator predisponente é o histórico familiar para alergias. No caso da alergia alimentar, você ter contato com o alimento de forma precoce, antes que o organismo tenha capacidade para se adaptar a ele ou um contato muito esporádico, isso também facilidade o desenvolvimento desse quadro”, explica a médica alergologista da clínica Alergo Imuno, doutora Ana Carla Melo.

A apresentação clínica da alergia alimentar é muito variável, com sintomas que podem surgir na pele, sistema gastrointestinal, respiratório e/ou cardiovascular. As reações podem ser leves, com simples coceira nos lábios, até mais graves, incluindo comprometimento de vários órgãos e potencial risco de óbito. “É necessário procurar uma emergência para ter esse diagnóstico confirmado. Se o paciente já possui diagnóstico de alguma alergia, deverá seguir o plano de ação descrito pelo seu médico”, ressalta o presidente da ASBAI. Os exames laboratoriais precisam ser muito bem interpretados, pois nem sempre um exame de IgE positivo indica que o paciente seja alérgico. Exames que avaliam a presença de IgG a alimentos não possuem qualquer relevância clínica e não devem ser recomendados na investigação de qualquer tipo de alergia alimentar.

Alergia x Intolerância  

São doenças diferentes, porém muito confundidas. A lactose é um tipo de açúcar encontrado no leite e não é desencadeador de alergias, mas sim de intolerância, por isso não se deve utilizar o termo ‘alergia à lactose’. Os sintomas da intolerância à lactose são dores abdominais, diarreia, flatulência (gases) e abdômen distendido. O paciente pode ingerir alimentos que contenham proteínas do leite, mas com quantidades reduzidas da lactose, e permanecerá com a intolerância até o final da vida. A especialidade que trata da intolerância à lactose é a Gastroenterologia.Já a alergia ao leite é desencadeada por proteínas, principalmente as caseínas, alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina. Os sintomas podem ser vários, como placas vermelhas pelo corpo, coceira, inchaço dos lábios e olhos, vômitos em jato e/ou diarreia e até anafilaxia, considerada a reação mais grave.

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