27/08/19

Atualidades - S.O.S AMAZÔNIA por Rivio Xavier*


Nesta semana, os olhos do mundo se voltaram para a Amazônia, após um aumento significativo do número de queimadas na região em relação aos últimos anos. Os dados, somados à polêmica criada pelo governo, semanas atrás, em relação ao desmatamento na região, fizeram com que a destruição da floresta se tornasse uma preocupação não só no Brasil – onde o presidente Jair Bolsonaro chegou a ser alvo de panelaços na sexta-feira.

Depois de Noruega e Alemanha anunciarem, na semana passada, o corte dos recursos que destinavam ao Fundo Amazônia, criado em 2008 para financiar ações de preservação do bioma, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a floresta seria um dos temas da reunião do G7 neste fim de semana. O presidente Bolsonaro reagiu à fala do francês, a quem acusou ter "mentalidade colonialista", mas também agiu internamente, criando um gabinete para conter a crise e anunciando o envio das Forças Armadas para combater o fogo nos estados que solicitarem ajuda.

Ainda assim, Bolsonaro procurou minimizar a gravidade da situação, ressaltando que o número de queimadas na região este ano está dentro da média dos últimos 15 anos. O problema, apontam especialistas em preservação ambiental, é que, quando se compara com os últimos anos, o início do governo Bolsonaro mostra uma preocupante tendência de elevação tanto das queimadas quanto do desmatamento. Desde 2012 que a Amazônia não registrava tantos focos de incêndio em julho quanto neste ano. O número é 84% maior que o observado no mesmo período de 2018. E, em relação ao desmatamento, o Inpe também apresentou uma tendência de aumento, justamente o que motivou a troca de comando do órgão.

Os sinais que o governo brasileiro envia à comunidade internacional é outra fonte de preocupação. Quando se mostrou empenhado a reduzir os índices de desmatamento, o governo brasileiro contou com o respeito e o apoio, inclusive financeiro, de outros países. O Fundo Amazônia, criado em 2008 e cortado agora por Alemanha e Noruega, ajudou o Brasil a alcançar o menor índice de desmatamento anual de sua história quatro anos depois, em 2012.

O receio dos ambientalistas é que o atual governo ponha a perder um trabalho de décadas, realizado por vários governos. Desde 1988, quando o Inpe passou a contabilizar os dados, o desmatamento anual oscilava muito.

A Amazônia hoje está ameaçada por toda uma arquitetura econômica que pretende dar lucros imediatos. Ou nossa sociedade é capaz de reverter esse processo, ou vai causar consequências graves para a humanidade. Estamos em uma situação de encruzilhada histórica que vai definir o destino da humanidade dos próximos milênios.

*Rivio Xavier Jr. é professor historiador, analista de política internacional e assessor parlamentar.


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