Onde celular não tem
área de cobertura o povo senta na frente da casa pra bater papo, geralmente
final de tarde e não tem essa de feriado, dia de domingo, na roça não tem
descanso. Às vezes os vizinhos do sítio ao lado se achegam e os assuntos são
colocados em dia.
- Essa noite ventou
muito num foi cumpade?
- Verdade, acordei às quatro da madrugada, pensei que
ia pra roça debaixo de chuva, mas que nada. Trabalhei até às seis, vim pra
casa, comi uma buchada com cuscuz, arroz e feijão, e a barriga foi dormi
roncando.
- É desse mermo jeitim (risadas)
As cumades entram na conversa:
- Ói cumpade eu mermo não vi nada de vento
não, dormi até bem.
- Ela dorme na rede, cumpade, ai dorme como
uma criança dentro da barriga da mãe.
- Oxi, e vancês num dorme na cama não é!
- Não cumpade, nóis deita nela e depois das
obrigações ela vai pra rede, entende? É custume qui ela tem derna pequena e não
consegui tirá.
- Pronto, agora deu mermo! Tu vai tá falando
das intimidade da gente é?! Sabe de uma coisa, eu vô é fazê um café bem forte
pra nóis cumê cum bolacha.
A outra comadre a acompanha, e os compadres
continuam na conversa.
Matutices necessárias hoje em dia...
José Nelson de Almeida Lima - é poeta cordelista, escritor, ator, produtor, palestrante.

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