25/08/19

Poesia - caleidoscópio temporal por Urbano Leafa

As vezes queria saber o que fazer,
Para me motivar dos meus queres.

Fico em dúvida
 se o que busco
 em meus 
esmeros internos, 
Podem transmutar
em alento 
na hora da decepção.

Neste momento,
Fico imenso 
num paradoxo 
no ócio ótico
 de meu olhos perdidos.

Ferido;
Encontro abrigo 
Na compreensão da dor.

Sou como
 uma tela
 em branco,
Onde todos projetam planos entretanto
Não tem tinta 
para pintar.

Sou como
 um rio escasso
 no leito,
Sem força e
 sem efeito
 para alcançar
 o mar.

Tento definir 
o que sou,
Mas se descobrir serei o mesmo
 que se perguntou(?)

Somos interrogações andantes,
 neste mundo duvidoso.

Quando 
visualizo um rosto
Todo desgosto do olho transborda em éter incolor.

Detesto esta percepção,
Não revelo isso,
Devido ao risco 
de reativar 
a ebulição do vulcão de pesadumes 
presas 
naquele interior.

Fluídos flutuantes paíram sobre os seres pensantes.

Que distraídos, escondem seus libidos 
na região fria
 de seu peito.

Eles expõem conceitos pré determinados. 

Constroem
 um campo minado,
Para proteger
 sua bolha. 

Eternos mimados,
Ficam chocados
 ao vê a cor
 da bolha ao lado,
Resgastam outros argumentos já usados, 
para retardar
 o choque
 de realidade. 

Pensando nisso,
Percebo que chove na cidade.

E um bêbado esbanja 
sua felicidade,
a sociedade 
diz que a cura
 é a civilidade.

Mas o que seria 
a felicidade
 se a sanidade estivesse
 no controle.

Para todos os açoites,
 a noite
 restrutura 
os versos.

Pensamentos
 são fetos coletivos,
Abortados
 pela lucidez ferrenha e continua. 
As dores do mundo,
Me guiam 
e passeiam em minha mente.

Para desviar 
a minha atenção 
desta saudade futura.

Angústias
 me acordam 
três horas
da manhã.

Urbano Leafa, O despoeta

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