As vezes queria saber o que fazer,
Para me motivar dos meus queres.
Fico em dúvida
se o que busco
em meus
esmeros internos,
Podem transmutar
em alento
na hora da decepção.
Neste momento,
Fico imenso
num paradoxo
no ócio ótico
de meu olhos perdidos.
Ferido;
Encontro abrigo
Na compreensão da dor.
Sou como
uma tela
em branco,
Onde todos projetam planos entretanto
Não tem tinta
para pintar.
Sou como
um rio escasso
no leito,
Sem força e
sem efeito
para alcançar
o mar.
Tento definir
o que sou,
Mas se descobrir serei o mesmo
que se perguntou(?)
Somos interrogações andantes,
neste mundo duvidoso.
Quando
visualizo um rosto
Todo desgosto do olho transborda em éter incolor.
Detesto esta percepção,
Não revelo isso,
Devido ao risco
de reativar
a ebulição do vulcão de pesadumes
presas
naquele interior.
Fluídos flutuantes paíram sobre os seres pensantes.
Que distraídos, escondem seus libidos
na região fria
de seu peito.
Eles expõem conceitos pré determinados.
Constroem
um campo minado,
Para proteger
sua bolha.
Eternos mimados,
Ficam chocados
ao vê a cor
da bolha ao lado,
Resgastam outros argumentos já usados,
para retardar
o choque
de realidade.
Pensando nisso,
Percebo que chove na cidade.
E um bêbado esbanja
sua felicidade,
a sociedade
diz que a cura
é a civilidade.
Mas o que seria
a felicidade
se a sanidade estivesse
no controle.
Para todos os açoites,
a noite
restrutura
os versos.
Pensamentos
são fetos coletivos,
Abortados
pela lucidez ferrenha e continua.
As dores do mundo,
Me guiam
e passeiam em minha mente.
Para desviar
a minha atenção
desta saudade futura.
Angústias
me acordam
três horas
da manhã.
Urbano Leafa, O despoeta
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