22/09/19

Arte e Devoção - O rosto de Cristo – por Jénerson Alves*

Pintura da cura do paralítico, que se encontra em uma igreja abandonada da Síria, datada do século III
É da lavra do cantor e compositor Josias Menezes (falecido em 2010) um hino conhecido no meio evangélico brasileiro, intitulado ‘O rosto de Cristo’. A composição foi gravada por ícones da música como Feliciano Amaral, J. Neto e Josely Scarabelli. Entre os versos iniciais, diz-se: “Sempre que eu leio a história de Cristo, / eu fico a pensar com grande emoção / no privilégio que muitos tiveram / de ver o Seu rosto, sentir Sua mão”.

Representações e pesquisas acerca da fisionomia do Homem que dividiu a história são diversas. O historiador Justo Gonzáles registra, em ‘Uma Breve História das Doutrinas Cristãs’ (Hagnos, 2015): “Desde os primeiríssimos escritos cristãos, começando com as cartas de Paulo e logo com o restante do Novo Testamento – seguidos pela literatura cristã antiga –, todos apontam para Jesus de Nazaré como o Messias ou o Cristo, o ungido de Deus. Da mesma forma, todos esses documentos afirmam que, por sua obra os crentes são redimidos”.

As mais antigas iconografias cristãs são espelhos desta fé. Nas catacumbas dos primeiros séculos, é possível encontrar cenas representativas da missão salvadora de Cristo, bem como elementos de sua vida – milagres como a cura do cego de nascença, do paralítico e a ressurreição de Lázaro figuram entre os tópicos principais. Em obras do mesmo período, o paraíso é apresentado como um cenário bucólico, como influência helenística no pensamento cristão primitivo.

Acontece uma mudança nas representações praticadas pelos cristãos dos três primeiros séculos e a igreja do século IV, já sob a proteção de Constantino. Ao invés do destino paradisíaco do crente – que aparecia com mais proeminência no período da perseguição, o que predomina é o entendimento de Jesus Cristo como Senhor e Cordeiro Divino.

Atualmente, muitas polêmicas aparecem em torno do Cristo. De um lado, vemos um neoateísmo militante que comemora a ‘morte de Deus’, enquanto os ateus antigos, como Camus, lamentavam-na. De outro lado, vê-se uma igreja apóstata, que apresenta o Cristo como um tipo de ‘coach’ do primeiro século. No meio destes extremos, há de tudo: misticismo, ocultismo, ideologia política e uma profunda e pantanosa ignorância.

Os que sinceramente buscam enxergar o ‘rosto de Cristo’, certamente encontrarão na Bíblia a melhor bússola. Um dos indicadores está no livro de Apocalipse, capítulo 1º. No texto, João relata sua visão do Senhor Jesus na Ilha de Patmos. Segundo a passagem, o Senhor assim a ele se apresenta: “Não temas; Eu sou o primeiro e o último, e o que vive; fui morto, mas eis que aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno” (vv. 17c-18) 

Jénerson Alves - jornalista, professor, assessor parlamentar, poeta e escritor.


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