As
tarefas sob demanda, já é tendência em vários países e no Brasil é conhecida como “uberização” do
trabalho. O serviço mediado por aplicativos e plataformas digitais tem
crescimento no mundo todo. Mas o avanço vem despertando debates sobre a precarização e
a intensificação do trabalho. Muitas pessoas que viveram sob o regime da
carteira de trabalho, com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), horário
fixo, férias e 13º salário, atualmente, (por opção ou por causa do desemprego
gritante no país) são empregadas de si mesmas, acumulando contratos e vivendo
oscilações de renda.
Com
o desemprego crescente, reformas da previdência, reformas trabalhistas, cortes
de gastos discricionais e as possíveis
propostas da equipe econômica do
governo, que tenta alterar as políticas de valorização real do salário
mínimo, que perderá o seu ganho real, os brasileiros entrarão numa situação de vulnerabilidade,
diminuindo garantias, transformando o Brasil num Estado mínimo.
Com tantos riscos, brasileiros são lançados nesse novo fenômeno onde quase 4 milhões de pessoas que formam a
categoria que trabalha para empresas de aplicativos já demonstram de serviços
no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para essas empresas, elas são descritas como “trabalhadores autônomos”, não
mantendo nenhum vínculo trabalhista.
Se
a “uberização”, como o fenômeno é conhecido, há algum tempo desperta discussões
na sociedade, principalmente pela insegurança trazida pela informalidade, apesar
de os aplicativos defenderem a autonomia dos trabalhadores, muitos
especialistas acreditam que essa liberdade não exista de fato. É preciso desmistificar
o que vem sendo chamado de “modernização nas relações de trabalho”, discurso
dito por daqueles que defendem a reforma trabalhista.
Não
é preciso fazer muito esforço para
perceber que, infelizmente, o atual processo de uberização no mundo do
trabalho apenas amplia o que no Brasil já é realidade para várias pessoas que,
desde sempre, são acostumadas a viver de
forma precária e na insegurança, tendo
que fazer muito esforço para sobreviver.
Aline Sales - é pesquisadora nas áreas de Educação e Saúde. Cursou nutrição na FAVIP e licenciatura em letras na Fafica.


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