17/09/19

Atualidades - Brasil, uberização e salário mínimo por Aline Sales


As tarefas sob demanda, já é tendência em vários países e  no Brasil é conhecida como “uberização” do trabalho. O serviço mediado por aplicativos e plataformas digitais tem crescimento no mundo todo. Mas o avanço  vem despertando debates sobre a precarização e a intensificação do trabalho. Muitas pessoas que viveram sob o regime da carteira de trabalho, com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), horário fixo, férias e 13º salário, atualmente, (por opção ou por causa do desemprego gritante no país) são empregadas de si mesmas, acumulando contratos e vivendo oscilações de renda.

Com o desemprego crescente, reformas da previdência, reformas trabalhistas, cortes de  gastos discricionais e as possíveis propostas da equipe econômica do  governo, que tenta alterar as políticas de valorização real do salário mínimo, que perderá o seu ganho real, os brasileiros  entrarão numa situação de vulnerabilidade, diminuindo garantias, transformando o Brasil num Estado mínimo.

Com tantos riscos, brasileiros são lançados  nesse novo fenômeno onde  quase 4 milhões de pessoas que formam a categoria que trabalha para empresas de aplicativos já demonstram de serviços no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para essas empresas, elas são descritas como “trabalhadores autônomos”, não mantendo nenhum vínculo trabalhista.

Se a “uberização”, como o fenômeno é conhecido, há algum tempo desperta discussões na sociedade, principalmente pela insegurança trazida pela informalidade, apesar de os aplicativos defenderem a autonomia dos trabalhadores, muitos especialistas acreditam que essa liberdade não exista de fato. É preciso desmistificar o que vem sendo chamado de “modernização nas relações de trabalho”, discurso dito por daqueles que defendem a reforma trabalhista. 


Não é preciso fazer muito esforço para  perceber que, infelizmente, o atual processo de uberização no mundo do trabalho apenas amplia o que no Brasil já é realidade para várias pessoas que, desde sempre, são acostumadas  a viver de forma  precária e na insegurança, tendo que fazer muito esforço para sobreviver.

Aline Sales - é pesquisadora nas áreas de Educação e Saúde. Cursou nutrição na FAVIP e licenciatura em letras na Fafica.

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