24/09/19

Atualidades - A INÉRCIA BRASILEIRA NA ONU por Rivio Xavier Jr.*


Esta semana, em Nova York, representantes de quase 200 países se reúnem para discutir suas agendas políticas no maior encontro diplomático do ano. A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Assembleia acontece em meio aos lançamentos de mísseis norte-coreanos, às tensões crescentes entre Estados Unidos e Irã depois do ataque à petroleira saudita, aos protestos na Caxemira e em Hong Kong, à piora nas negociações de paz entre EUA e Afeganistão, ao fim do diálogo entre governo e oposição na Venezuela, ao Brexit no Reino Unido e à guerra comercial sino-americana.

Já o Brasil, a falta de controle de incêndios florestais, o aumento dos focos de queimadas, o desmatamento acelerado e a política ambiental fragilizada deixam o Brasil em situação de vilão do meio ambiente. Não bastando, os discursos desconexos do presidente Jair

Bolsonaro com a situação climática e ambiental só pioram a imagem do país quanto ao tema. O mais recente vexame é o corte da fala do presidente brasileiro na Cúpula do Clima.

O motivo alegado para suspender a fala de Jair Bolsonaro é que o governo brasileiro não teria enviado com antecedência o compromisso com o clima, critério exigido dos 63 presidentes que terão direito a voz no evento mundial. Mas, especialista acreditam que a razão seria uma forma de resposta das nações contra as ocorrências de queimadas acima da média, neste ano no Brasil.

Mais de 150 países tem atos públicos em favor do meio ambiente, e o Brasil aparece em todos como o vilão do clima. Os argumentos de que as queimadas são normais como prática de limpeza das propriedades são contraditórios com o que vem sendo mostrado para o mundo inteiro. Florestas são devastadas pelo fogo. O aumento é estimado em 150% a mais se comparando ao ano anterior. Não tem como esconder tanto fogo e fumaça. O Brasil precisará de ações duras e imediatas para resgatar a credibilidade e sair dessa condição ruim que se meteu. As relações comerciais com diversos países (clientes das exportações brasileiras) exigem critérios ambientais. A questão ambiental é também econômica.

Rívio Xavier -  Bacharel em direito, historiador, professor, analista de política internacional e assessor parlamentar. Também colunista no Jornal de Caruaru.


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