Caruaru é só talento,
artistas pra todo lado.
É celeiro cultural,
é país abençoado.
E por ter nascido aqui,
já me sinto agraciado.
Nos meus tempos de garoto,
conheci um humorista.
Personagem engraçado,
bem ali na minha vista,
assistindo-o nos palanques,
sempre era protagonista.
Uma grande multidão,
era público normal.
Tinha grande simpatia,
um carisma excepcional.
Talento da região,
de projeção nacional.
Luiz Jacinto da Silva,
o seu nome de batismo.
Já coronel Ludugero,
era nome no humorismo.
Quando estava no palanque,
atuava com absolutismo.
Nascido na “rua preta”,
um bairro tradicional.
Na verdade “São Francisco”,
é seu nome no legal.
(Eu tinha um chamego por lá,
de natureza namoral.)
Ludugero ou Luiz,
que é seu nome verdadeiro,
quando completou 10 anos,
se tornou um escoteiro.
Tinha prazer em seguir,
a vida de aventureiro.
E com essa mesma idade
começou a trabalhar.
Era o garoto Luiz
já querendo melhorar.
Se fosse hoje em dia, ave!
Podia se atrapalhar.
Ajudando ao próprio pai,
que tinha uma selaria,
fazer celas pra cavalo,
era sua especiaria.
Mas naquela profissão,
Luiz não demoraria.
Com 12 anos trabalhou
em uma padaria.
Era entregador de pão,
dia e noite, noite e dia,
e fazia cada entrega
com diferente alegria.
No Colégio Caruaru
hoje, atual Diocesano,
o curso ginasial
cursou sem desengano.
Como para todo mundo,
o destino tinha um plano.
Seguindo a escola da vida,
tinha um futuro certeiro.
Ainda meninote foi,
ajudante de pedreiro.
E pelos dezesseis anos,
trabalhou como carteiro.
E não só em Caruaru,
S. Bento do Una Também.
No ofício de entregar cartas,
foi até Sirinhaém.
Redescobrindo caminhos,
querendo sempre ir além.
Já em Palmeiras dos Índios,
por lá fez também morada.
Interior das Alagoas,
topava qualquer parada.
Se diz que foi por lá que
começou sua jornada.
Quando fez dezoito anos,
no Recife foi morar.
Era o inquieto Luiz,
batendo asas a voar.
Parece até que sabia,
onde queria chegar.
Em Recife fez concurso
sim, para telegrafista.
Mesmo não sendo aprovado,
ficou como taquigrafista.
Mas o que seria mesmo,
era um grandioso artista.
Começou sua vida artística
em sua Terra natal.
Caruaru foi sempre assim,
da cultura um pedestal.
Um celeiro de talentos.
Para o mundo um portal.
E foi na Rádio Cultura,
programa das doze e trinta,
que o talentoso Luiz,
se revelou boa-pinta.
Nessa hora sempre se tinha,
uma audiência distinta.
Professor Urbano diz:
A timidez em pessoa.
Onde quer que se apresente
cada risada ressoa.
É um gigante no palco.
O povo se amontoa.
Teve ajuda de três anjos,
grandes parceiros de goga.
Em matéria de humor,
um com o outro dialoga.
Nelson Ferreira, Onildo Almeida,
e também Luiz Queiroga.
Mas também fazia parte
engrossando sua lista,
um amigo extrovertido,
Hilton Marques, radialista,
criou o nome Ludugero.
Verdadeiro articulista.
Luiz Queiroga ajudou,
também na escolha do nome.
Era um nome bom e forte,
não era mero codinome.
Pelo que viria a ser,
só podia ser desnome.
Se apresentava sozinho,
Mas logo teve parceiro.
Irandir Peres Costa,
Otrópe, seu companheiro.
Juntos faziam dum palanque,
um real picadeiro.
Tinha a Dona Rosinha,
Rosa Maria interpretava,
atriz muito talentosa
por esposa se passava.
Era, marido e mulher,
quando se personificava.
Também Dona Felomena
com ele contracenava,
com a mesma personagem,
e a atriz que interpretava,
era Mercedes Del Prado,
quem por último atuava.
Tipo “mulher paraíba”
personagem até brava.
Respeitava o coroné
e ele também respeitava.
Quando estavam atuando,
a multidão vislumbrava.
Com bom humor, a figura
Lendárias dos coronéis,
o Jacinto interpretava
e sem medo dos revéis.
E de gênio brincalhão,
tinha muitos fãs fiéis.
Contava histórias fantásticas.
Poeta e bom aboiador,
era cantor de viola,
também excelente ator.
Um Caruaruense exemplar,
grande comunicador.
Houve uma grande tragédia
Não gosto nem de lembrar.
Causou grande comoção
Que prefiro não contar.
Aproveito esse momento
pra esses versos encerrar.
José Nelson de Almeida Lima -


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