| Antônio (Severino Florêncio) visita o local onde nasceu em A Visita, que cumpre temporada em Caruaru |
Tão
atual quanto o passado de muitas pessoas
do interior do nordeste,” A visita” é uma metáfora que tem retratado na
nostalgia do personagem, a diáspora nordestina, a vida
no interior e as dificuldades da pobreza. A vida simples, as tradições, a
devoção misturando às vezes o sagrado e o profano são retratados na peça. O
público caruaruense teve o privilégio em setembro, de
prestigiar o autentico espetáculo adaptado do texto do encenador espanhol
Moncho Rodrigues.
Severino
Florêncio vive Antônio. Um personagem que traz para o espectador fatos, pessoas
e acontecimentos de sua infância no interior, tentando recriar na absoluta
solidão elementos através da conversa com sua própria memória: As brigas com o
irmão que sempre censurava sua delicadeza e sensibilidade, a mágoa por não ter
tido a mesma oportunidade que ele (de ir estudar na cidade grande e tornar-se
doutor), o amor de sua saudosa mãe que lhe ensinou a fé e os caminhos de Deus.
O respeito pelo pai, modelo da masculinidade, e que o ensinou a tomar a cachaça
(sem se embriagar) com pedaço de carne seca. O circo dos espanhóis que passou
uns dias na cidade e trouxe um pouco de alegria.
Através
de sua visita ao passado, o personagem recria fatos vivenciados por muitos
brasileiros que deixaram suas vidas, seus costumes, suas terras em busca de
melhores condições de vida. A visita é uma obra espetacular, em que
o ator evoca com maestria a vida do nordestino. A obra tem caráter
regionalista, inspirada na riqueza de detalhes contidas no modelo familiar dos retirantes, nas
dificuldades, nas alegrias e na superação do homem do interior.
A
obra, nos faz lembrar de quem somos, retomando
nossa identidade e alerta para o doloroso vazio humano, não apenas de
gente, mas de vida, de campos e vilas frutos de estratégias políticas e
econômicas de um sistema capitalista.

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