Mais um país o mundo entra no mapa dos protestos mundiais, sejam por crise política,
social, étnica ou religiosa. Agora é o Chile!
Tudo teve início com manifestações contra o aumento da passagem de metrô na capital,
os eventos avançaram a uma velocidade vertiginosa.
O bilhete aumentou de um valor
equivalente a 1,12 dólar para 1,16 dólar, mas a medida não foi suficiente para arrefecer
os protestos, que ganharam novas demandas.
O descontentamento se traduziu em panelaços, saques, destruição de estações de trens
metropolitanos e queimas de ônibus, supermercados e outros edifícios na capital –
ações que logo se espalharam para outras partes do país.
O governo chileno afirmou que "criminosos" são responsáveis pelos protestos violentos
que já causaram 11 mortes.
O presidente Sebastián Piñera decretou estado de
emergência, que se transformou em um toque de recolher – medidas que não eram
vistas desde o retorno à democracia, com o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em
1990, salvo em casos de catástrofes naturais. E essas medidas apenas agravaram a
situação.
Piñera afirmou que o país está "em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que
não respeita ninguém e está disposto a usar a violência e a deliquência sem limite
algum".
No fim de semana, estações de metrô foram fechadas em Santiago e Valparaíso, havia
pouco transporte coletivo à disposição da população, supermercados não abriram, e em
algumas áreas as aulas foram suspensas.
Ao se procurar exemplos desse tipo de
desordem, o caos vivido após o terremoto de 27 de fevereiro de 2010 é o único
antecedente que pode ser encontrado nos últimos 25 anos.
Mas como explicar essa explosão num país que mostra números macroeconômicos
positivos e é frequentemente visto como um lugar tranquilo? Há uma semana, o próprio
presidente Piñera afirmou que o Chile era um "oásis" na América Latina.
Deve se ter sempre cuidado quando se vangloriar de algo, especialmente quando há
fraturas sociais escondidas que não foram processadas corretamente.
Essas fraturas
têm a ver com uma qualidade de vida que geralmente está acima das possibilidades das
pessoas.
Quando o Chile tem sua imagem arranhada, fica em evidência uma enorme injustiça
social, cultural, econômica e política. A boa imagem foi sustentada sobre pilares fracos
que se apoiavam, em grande medida, na paciência de um povo maltratado que se
cansou. O aumento do preço da passagem de metrô foi apenas o estopim, em um país
onde os serviços básicos estão sendo privatizados, a previdência social é precária e um
amplo setor da população está descontente com os privilégios de alguns setores da
sociedade.
Muito se tem parecidos com seus vizinhos, afinal o Chile apesar de parecer o contrário,
nunca se viveu em uma ilha isolada na américa latina. A desigualdade entre ricos e
pobres sempre é o estopim para a eterna luta de classes!
*Rivio Xavier Jr. é professor historiador, analista de política internacional e assessor parlamentar.

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