É inegável que o centro de Caruaru precisa ser requalificado, com as medidas adotadas pela atual gestão, para muitas pessoas o nosso comércio está ficando mais "bonito", organizado. Todavia, mesmo concordando em parte, a impressão que tenho é que falta algo, alguma coisa parece ter sido deixado de lado, como se tivessem esquecido de pôr a mesa na cozinha sabe.
Comecei a me questionar sobre o que é belo de verdade em nossa cidade e cheguei a conclusão de que a nossa beleza está justamente no que nos diferia da beleza de outras cidades.
A beleza de nosso comércio não está em calçadas largas e livres, não está apenas nas lojas com belas vitrines nem na aparente ordem que parece haver nos últimos dias. A beleza do comércio de Caruaru sempre esteve alicerçada na capacidade de acolher e de dar oportunidade ao nosso povo!
Caruaru nasceu e cresceu graças a força e a criatividade dos comerciantes e trabalhadores informais. Toda nossa estrutura social e econômica tem como base o trabalho informal, a feira, conhecida internacionalmente, foi construída ao longo do tempo por pessoas que, assim como ocorre hoje, viram em nossas ruas um meio para prover seu sustento.
E foi em nossas ruas que esses trabalhadores criaram um jeito só nosso de negociar e de viver. Negar a essência de nosso povo é o erro mais atroz que qualquer gestão, que tente reorganizar nosso comércio, pode incorrer. Compreender o espírito dessa atividade é a base para o desenvolvimento de nosso comércio e de nossa cidade.
O trabalho informal tem como característica principal a liberdade, a não subordinação, não dá pra construir projetos que tentem enquadrá-los em caixas e padrões, que julgamos ser adequados, mas que não refletem a sua realidade. Acredito que o grande desafio está em adequar os espaços urbanos para que esses trabalhadores caibam em nosso centro, em nossas ruas, pois elas também os pertence.
Sabemos que Caruaru é uma cidade com vários problemas estruturais que foram em grande parte causados pela falta de planejamento de sua expansão, mas não é sacrificando uma atividade tão importante que iremos resolver esses problemas, muito pelo contrário, vamos correr o risco de perder a característica que nos define como o que somos, caruaruenses.
E é por este motivo que precisamos lutar pela valorização desses trabalhadores, que não podem ser subjugados por uma parcela da sociedade que não reconhece a sua importância. É necessário colocar esses trabalhadores no centro do debate quando o assunto for nosso comércio, pois nosso comércio só é o que é graças a eles!
*Michelle Santos
é advogada e secretária geral do PSol PE.


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