Em A Vida Que Ninguém Vê, Eliane Brum nos apresenta as suas crônicas reportagens. São ao todo 21 textos publicados no jornal gaúcho Zero Hora, onde a
jornalista escrevia na coluna homônima ao título do livro. Em busca de personagens
que não viram notícia, Brum joga luz sobre um Brasil conhecido nosso. Porém, Brasil
esse, que muitas vezes é varrido para debaixo do tapete.
É verdade que por trás de todo bom jornalista, há um grande escritor. E Eliane é
assim. De repente o Zé é Ulisses e o Ulisses é Zé, como ela mesma diz. Boa repórter
que é Brum abre espaço de fala a todos os envolvidos. Com seu texto bem apurado,
mal sabemos onde a escritora começa, e a jornalista termina. Fato é que, muitas
vezes a leitura te levará para cima ou para baixo. É que para ter noção da grandeza
dos personagens, a autora te convida a se despir de preconceitos.
Suas histórias de tão sofridas, parecem ser repetidas. O que torna a leitura às vezes
maçante, mas graças ao sarcasmo e a escrita direta da autora a obra não perde o
brilho. Essa não é a primeira vez de Eliane no meio literário, sua estreia se deu em
“Coluna Prestes: O Avesso da Lenda”. No entanto, o desafio de escrever em uma
coluna temas muito parecidos e depois publica-los em coletânea, é salvo pela
proximidade com o leitor que é mantido também durante a narrativa. A sensação que
temos é de que mesmo longe, os personagens podem estar do lado de fora da nossa
porta.
São poucos os repórteres que têm a capacidade de ver a grandeza de uma
reportagem, que a primeira vista ninguém da nada, mas que nas mãos de um bom
jornalista se tornam manchete de primeira página. Por fim, Eliane falou muito, mas
falou pouco. Poderia ficar sentada e ouvir um pouco mais de suas histórias tão
humanas.
*Eduarda Guilherme
é colaboradora


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