Na reta linha do tempo eu vi os ventos fazendo a curva.
Redemoinhos travesses brincando de roda na esteira do dia.
A poeira levantou o meu olhar e nela, ciscos, folhas e papéis subiram ao céu.
O menino que brinca com o vento anseia as chuvas.
O sol sucumbe ao mar e faz nascer a noite e sua cortina estelar sobre a mesa posta.
Meu ser afeito a desertos divas os mundos céu adentro.
Vênus.
Marte.
Os anéis de saturnos.
As ilhas e os albatrozes voejantes.
As cavernas e as montanhas e suas sombras.
O estalar de folhas secas forma a sinfonia de uma natureza em pranto.
Canto de golfinhos mar afora rumo a lua que mareja a face das águas.
Eu já estive do lado de lá oceano.
Os mesmos sonhos, os mesmos gostos e desgostos as águas os fazem separar.
Sob o mesmo o sol azul de céu fervente, o amor ainda os fazem superar.
Nas locas das montanhas as aves.
Nas tocas sob o chão, caminhos de tatus e serpentes infelizes.
Nas grotas entres as pedras os coelhos serelepes escondem sua ninhada.
É de lamber a cria que vem o meu amor.
Que saudade de mulher que me ninava ao colo.
Que vontade de puxar a sua saia na aba do tempo que não vence.
Que anelo de estar à sua beira.
A vida é como um Ás de copas... É lá onde tudo começa!
Na copa ou na cozinha a poesia é alimento e o menino brinca com a saudade.
Eu quero o amor que seja leve e que me leve feito canoinha entre as curvas do rio.
Uma vela.
A vela.
De longe a favela.
Ao longe a janela.
E o menino brinca com suas sombras enquanto o velho o observa sorridente.
O amor, meu senhor, é esse canto do mundo onde todo canto ilumina a lua.
Conto que alinhava esperas, silêncios e sofreguidões.
Como o filho pródigo longe do seu lar, sou eu distante de mim mesmo menino.
E agora?
Não sei dizer! Quem souber morre!
O seu olhar habita em mim em minha terceira dimensão.
Ai que saudade eu tenho da minha mãe!
Um aviso aos passageiros desse trem da vida:
Quem tem a sua que a aproveite!
Pois, como o luar e as enchentes das marés, a vida é breve.
Eu venho desses desajeitos nas muitas voltas que a vida dá!
Na linha do horizonte eu escrevi a palavra amor.
Com a linha do horizonte eu sublinhei a expressão: saudade!
Com a linha do horizonte eu tricotei desventuras e solidões.
Um riso.
O pranto.
Um canto.
As aves.
A retina.
As rotinas e as britadeiras fazem barulho na calçada.
O olhar cansado e no amor, o fundo do mar.
O fundo de tudo.
“Mundo, mundo, vasto mundo!”.
No fundo, bem no fundo, eu sei que tudo é tempo...
E ante a eternidade, tempo é nada!
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