No quadro ‘Sunlight in a Cafeteria’, o pintor estadunidense Edward Hopper (1882-1967) retoma uma das suas temáticas preferidas: a solidão. Pintada em 1958, a obra parece contrapor-se à famosa tela ‘Noctâmbulos’.
A cena retratada é de um restaurante, possivelmente de uma cidade pacata. O espectador sente-se observando o fato de longe, e o momento expressa uma certa tensão. Parece que o homem e a mulher deixarão o estado ensimesmado em que se encontram para adotarem algum tipo de interação. Não se pode afirmar categoricamente, mas o olhar de soslaio feminino aparentemente aponta para esta possibilidade.
Também chama a atenção o fato de haver uma porta para fora do restaurante, ao contrário de ‘Noctâmbulos’. Seria este um indicativo de saída da solidão?
Ademais, não há algum garçom para servir os clientes. É como um indicativo da necessidade de protagonismo por parte dos indivíduos retratados. Como se eles estivessem a um passo de sair da letargia para trilhar os caminhos do amor.
Impossível é para mim falar sobre a libertação da solidão e não lembrar dAquele que é o príncipe dos Amigos. Após morrer na cruz do calvário, o Senhor Jesus ressuscitou. Em ‘O Desejado de Todas as Nações’, Ellen White relata: “E eis que os céus se iluminaram de repente com uma glória que não provinha do Sol nascente. A Terra tremeu. (...) O sepulcro estava vazio”.
A primeira aparição do Ressurreto foi para enxugar as lágrimas daquelas que, sentindo-se solitárias, choravam pela Sua morte. A luz da Ressurreição ilumina a escuridão de quem está sem rumo. Assim como no quadro de Hopper, a luz que entra pela janela faz-nos ver o nosso próximo e, ao enxugar as lágrimas dos outros, também transformamos nosso pranto em riso.


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