Carlos Marighella nasceu em Salvador, em 1911. Filho de Augusto Marighella, operário e imigrante italiano, e de Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, teve outros sete irmãos. O início na vida acadêmica, em 1929, quando ingressou na Escola Politécnica da Bahia para cursar Engenharia Civil, também foi a porta para seu ingresso na política e na militância. Em 1934, enfrentou pela primeira vez a repressão por se opor ao que viria a se tornar, em 1937, o período ditatorial conhecido como Estado Novo, liderado por Getúlio Vargas. Foi preso depois de divulgar um poema em que criticava o interventor da Bahia, Juracy Magalhães, nomeado por Vargas.
Depois de um ano na clandestinidade, Marighella foi preso e torturado novamente em 1939, permanecendo, dessa vez, seis anos na prisão. Em 1945, com o fim do Estado Novo, ele foi beneficiado com a anistia e solto. A passagem de Carlos Marighella na política formal foi bastante curta, durou menos de um ano. Em 1946, elegeu-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano, mas, por ordens do então presidente Eurico Gaspar Dutra, o partido voltou à ilegalidade e seu mandato foi cassado.
Marighella chegou a ser considerado o inimigo número um da ditadura militar brasileira e, com o endurecimento do regime, os esforços em torno de sua captura aumentaram. Até que em 4 de novembro de 1969, ele foi morto a tiros por agentes do Dops, em São Paulo. A emboscada coordenada por Sérgio Paranhos Fleury que resultou na morte do guerrilheiro foi montada a partir da informação de que ele mantinha contato com freis dominicanos em São Paulo. Alguns desses religiosos foram detidos e obrigados a marcar um encontro com Marighella na Alameda Casa Branca, nos Jardins. Chegando lá, foi surpreendido e morto a tiros. A ALN continuou suas atividades até 1974.
*Rivio Xavier Jr. é professor historiador, analista de política internacional e assessor parlamentar.

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