09/11/19

Em Prosa e Verso - GARAPA por JEFFERSON MOISÉS*


Todo mundo nessa vida
Foi um dia apelidado
Por nome de coisa feia
Ou por algum nome engraçado
Eu mesmo caros leitores
Já fui muito apelidado.


Pela testa avantajada
Chamaram-me de "testão"
Ou "tobogã de pioi"
Também "Pista de avião"
Outro disse que eu tinha
"Testa que amola facão."


Mas nunca me importei
Até achava engraçado
Botava apelido num
E também era apelidado
O mais importante era
Que ninguém ficava arretado.


Só que para toda regra
Sempre tem uma exceção
Por exemplo, seu Luiz
Cachaceiro de expressão
Se chamassem o apelido
Era certa a confusão.


Luiz na sua infância
Era um rapazinho agitado
Com tudo se estressava
Sempre tava aperreado
Ai a mãe dava Garapa
E ele ficava mais calmo.


Então seus coleguinhas
Começaram a perturbar
Era Garapa pra’qui
Era Garapa pra lá
Era tanta da Garapa
Que ele teve que tomar.


Porem seu Luiz cresceu
Um Homem forte virou
Só vivia no pifão
Cachaceiro se tornou
E na sua longa estrada
O apelido acompanhou.


Seu Luiz vive nos bar
O dia todo peruando
Com os cabras do seu lado
Todo dia perturbando
Até os jovens da rua
De Garapa ta chamando.


Até que um certo dia
Seu Luiz pegou um ar
Já tava no seu limite
Com o povo desse lugar
Na cinta botou uma faca
E foi tomar uma no bar.


Começou beber cachaça
Embriagado ficou
Os meninos la na praça
Agitar um começou
Mas não sabia da peixeira
Que na cinta ele botou.


Seu Luiz saiu do bar
Já saiu cambaleando
Os meninos lá na rua
Ja estavam esperando
Seu Luiz passar no meio
Pra ficarem agitando.


Pois ficaram em cada ponta
Por Luiz a esperando
Quando ele se aproximou
Começaram a gritar
E Luiz já preparou
A peixeira pra puxar.


Um gritou dizendo: "água"
O outro dizendo: "açúcar"
Luiz pegou a peixeira
Ligeiro como quem furta
E disse : "agora misture
Seus pestes filhos da burra."


Os meninos deram na frente
Garapa correndo atrás
Mas não chegou nem perto
Pois tava bebo demais
E ficou naquele gingado
Que quase cai mais num cai.


Garapa hoje se zanga
Se esse nome escutar
Se falar na brincadeira
Ele quer logo brigar
E se ficar estressado
Garapa tem que tomar.



Pegada de ar igual essa
Nem o locutor mução viu
Seu Luiz ta por ai
Andando pelo Brasil
Se quiser ver confusão
Vá e acenda esse pavio.

Jefferson Moisés Domingos da Silva - Poeta Declamador e Cordelista, membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel e admirador da Cultura e sertão nordestino.


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