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| Seresta na Praça ACAMUS/ACACCIL |
A propósito, o que é mesmo uma seresta? É a reunião de instrumentistas, cantores e um público que curte a musical sentimental ou romântica. Geralmente um intérprete acompanhado por instrumentos de corda. Esse tipo de manifestação cultural se fez sempre presente na maioria de nossas cidades. A “Seresta na Praça”, aqui no país de Caruaru, promovida pela Academia Caruaruense de Música (ACAMUS), criada pelo saudoso Paulo Miranda e hoje presidida por Ivan Galvão e tendo como vice-presidente Goretti Santos e secretaria Graciete Carolina que mantem viva a tradição da seresta entre nós.
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A ACAMUS com seus maravilhosos e talentosos cantores e músicos – voluntários amadores – como Clovis Gonçalves, Severino Gidelson, Ana Luiza, Rubem, Graciele, Rosa Lopes, Caetano, Cláudio, Totonho, Paulo, Rosy, Heleninho (acordeon), Ariosto Afonso entre outros tantos dão continuidade à “Seresta na Praça”, encantando o público pelos quatro cantos da cidade, nas diversas praças e lugares outros, a exemplo da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras onde vêm se realizando grandiosas serestas. No caso da “Seresta na Praça”, qualquer morador pode se habilitar a cantar, dá uma palhinha e também os visitantes. A iniciativa artística rememora tempos de outrora e nos leva a viver momentos de nostalgia e emoção através de canções populares que tantos corações apaixonados acalentaram.
As pessoas vêm de todos os recantos da cidade. Há quem venha sozinho ou então acompanhado. Vão chegando à praça e se aconchegando, sentando ali e acolá. E enquanto os seresteiros afinam os instrumentos, um aperto de mão, um abraço apertado, cumprimentos de boa noite, quem sabe, um reencontro. Ansiosos, aguarda-se em compasso de espera o desenvolvimento das melodias. Assim, as pessoas vão dividindo o espaço para desfrutar das belas canções, interpretadas magistralmente pelos seresteiros.
De repente, o apresentador Hélio Vasconcelos com seu panamá na cabeça entra em cena. – Boa noite a todas e a todos, sejam bem-vindos! É o convite à plateia para viver a magia de mais uma seresta. Muitos aplausos. Daí então, os seresteiros são chamados a subirem ao palco, seguindo certas regras, mas sem muitas firulas. Identifica-se o intérprete e comenta-se em poucas palavras a história daquela canção. Assim se inicia a seresta na praça. Os seresteiros executam seu repertório para deleite de uma plateia atenta de todas as idades, que se entrega ao romantismo do momento.
Com certeza quem assiste à “Seresta na Praça”, escuta um repertório de belas e melodiosas canções, pelos notáveis seresteiros de nossa Caruaru. Eles cantam a saudade da época em que os enamorados, junto às janelas das casas de suas pretendidas, enfrentavam o sereno da madrugada, para tentar conquistar a amada, desfiando repertório dos grandes astros da música brasileira.
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| Seresta na Praça ACAMUS/ACACCIL |
Nada é tão visceral como a voz de um seresteiro a cantar ao luar, conectando as pessoas ao mundo das recordações, suscitando sentimentos, saudades, trazendo à tona as paixões ao se ouvir versos como esses: Saudade, palavra triste quando se perde um grande amor. Você nem sequer se lembra/De ouvir a voz deste sofredor/Que implora por seus carinhos/Só um pouquinho do seu amor.
A música avança pela madrugada e se espalha no ar como pedindo permissão às estrelas. O seresteiro aconchega ao peito o pinho de onde tira os acordes e harmonias, acompanhado por um cavaquinho base, um pandeiro, às vezes um bandolim, um violino, uma flauta, um clarinete que parece chorar sob o luar que banha as ruas nas madrugadas e canta seu repertório apaixonante.
Quando uma música toca em cheio o coração de alguém, na plateia esse alguém até murmura: essa música – por exemplo, Lua Branca, de Chiquinha Gonzaga – foi feita para mim. Oh, lua branca de fulgores e de encanto/Se é verdade que ao amor tu dás abrigo/Vem tirar dos olhos meus o pranto. Manda tua luz prateada despertar a minha amada. Quero matar meus desejos, sufocá-la com meus beijos”.
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| Seresta na Praça ACAMUS/ACACCIL |
Por entender ser especiais essas lembranças, dia desses enviei um vídeo de uma das apresentações da ACAMUS para uma dileta amiga. Ela me respondeu com preciosos elogios vindos d’alma, induzindo-me a escrever esse arrazoado. Portanto dedico-o a essa minha amiga, Eva-Marta Szendy, cuja amizade tenho como um pedacinho do céu. Tantos anos trabalhamos juntos no CNPq-Brasília. Que período abençoado, que amizade sincera.
Ó amiga, lhe confesso, não tem período mais encantador e saudoso que não o da mocidade, inebriado de longas noites de serenatas aos pés das pretensas namoradas. O seresteiro, meu amigo, Bernardino Carvalho e o que dedilhava as cordas do violão certa noite nem sempre estão lá, mas uma coisa não muda: somente um gole aqui, outro acolá de Montilla para nos deixar imunes ao frio daquelas madrugadas.
Ah, minha amiga Eva, não tenho receio de confessar que embora hoje achem démodé, admiro uma noite de luar, as estrelas no verão e creio no amor, hoje um tanto também démodé e é por isso que me invade uma saudade tamanha dos amigos que por vezes não sei de onde vem, somente encontro razão nesta alma que mora em mim.
Então é isso. Se alguém pegar um violão e soltar a voz pelas ruas, e se a musa abrir a janela para ouvir, o seresteiro então haverá de cantar nessa noite seu sentimento ou reafirmá-lo, haja vista ser a serenata um verdadeiro culto ao amor. E se formos à praça chamaremos de “Seresta na Praça”, prestigiem.
Assista um clipe feito na noite de 28 de março de 2019, na Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, em mais uma edição do evento SERESTA NA PRAÇA, sendo este o primeiro naquele centro cultural.
Assista um clipe feito na noite de 28 de março de 2019, na Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, em mais uma edição do evento SERESTA NA PRAÇA, sendo este o primeiro naquele centro cultural.
*Agildo Galdino - preside a Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras (ACACCIL) e a União Brasileira de Escritores (UBE) Núcleo Caruaru. É professor e pesquisador. Tendo dezenas de crônicas e contos publicados em jornais e revistas muitos com cunho memorista.





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