Hoje o TOP 5 é com o escritor Agildo Galdino. Ele preside a Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras (ACACCIL) e também a União Brasileira de Escritores (UBE). É professor e pesquisador. Tendo dezenas de crônicas e contos publicados em jornais e revistas muitos com cunho memorista.
Vamos as 5 mais acessadas dele:
A Vitória, O Cágado e Pepe
UM PEDACINHO DO CÉU (acesse Aqui)
PEDAÇOS DE VIDA (Acesse Aqui)
RETALHOS DO ALGODÃO! (Acesse Aqui)
MUNDO MÁGICO (Acesse Aqui)
A Vitória, O Cágado e Pepe
UM PEDACINHO DO CÉU (acesse Aqui)
PEDAÇOS DE VIDA (Acesse Aqui)
RETALHOS DO ALGODÃO! (Acesse Aqui)
MUNDO MÁGICO (Acesse Aqui)
A VITÓRIA, O CÁGADO E O PEPE
Sem tencionar qualquer outra razão que não seja a importância de tudo aquilo que cerca o mundo infantil e em especial para mim o que diz respeito aos meus filhos, quero falar um pouco sobre o que tem me chamado atenção ultimamente, o emaranhado de curiosidades e olhares da Vitória, minha filha, em seu cotidiano. Agora também vem seu irmãozinho com suas peripécias.
De uns tempos desses para cá, ele cismou de só querer ser chamado de Pepe. Já imaginou! É curioso. Porque nem eu, nem sua mãe incentivamos a prática do uso de apelido ou “codinome”. Vitória é chamada pelo seu segundo nome e até então chamávamos Pedro Henrique esse tal de Pepe. Mas não nos esqueçamos que crianças têm muito a nos ensinar quanto à essência da vida.
A propósito, deixe-me contar uma historinha que tem como protagonistas a Vitória, o Pepe e um cágado. Um cágado! Mas alto lá! Este nada tem a ver com aquele que desfilou como segunda alegoria da Escola Acadêmicos do Salgueiro, ovacionado delirantemente por milhares de pessoas na Sapucaí.
Ah, pobre cágado, o nosso...
Enquanto o cágado do Salgueiro é festejado e reverenciado como personalidade de destaque, a desfilar para centenas de admiradores numa avenida de brilhos e luzes, ritmos e samba, o outro em geral “desfila” lá no fundo do quintal. Um é impulsionado a atravessar a avenida trazendo em seu dorso lindas e destacadas personalidades carnavalescas. O outro, de olhar tristonho, normalmente desfila com seu caminhar lerdo pelo quintal onde tem morada.
O cágado na passarela do samba contrasta suas cores com as das arquibancadas, com olhos esbugalhados e brilhantes a virar o pescoço para um lado e para o outro como que agradecendo os aplausos vindos das arquibancadas da Sapucaí, num verdadeiro furor. Já o nosso cágado de cada dia, embora desperte curiosidades, não é capaz de mudar seu ritmo ou sequer de movimentar seu pescoço tal qual seu colega famoso. Apenas caminha, sem alterar o ritmo, sem pressa ou bronca com o tempo. O relógio pode avançar o ponteiro como bem desejar. Ao contrário daquele do carnaval que desfila de olho no relógio para não estourar o tempo, daí porque a correria no fim para ultrapassar o portão antes do fechamento.
Mas afinal quem é o nosso cágado?
É um réptil dotado de carapaça pertencente à ordem taxinômica Testudinata. Por vezes referidos como quelônios, são considerados semiaquáticos, vivem em terra e na água doce. Seu casco é mais achatado do que os das tartarugas e do jabuti. A diferença entre eles ocorre principalmente nos hábitos e características morfológicas, tendo pescoço longo, o que o diferencia dos demais quelônios. Patas semelhantes às de patos, com membranas entre os dedos que lhes permitem nadar com alguma desenvoltura. Possuem pequenas unhas nas extremidades, o que auxilia sua movimentação em meio terrestre. Já os jabutis são espécies de hábito exclusivamente terrestre e as tartarugas tem seu habitat tanto nas águas marinhas como na água doce. Passam boa parte de suas vidas submersas e vêm à tona para respirar periodicamente e só saem da água para desovar em terra.
Vamos ver o que tem a ver a Vitoria, o cágado e o Pepe. É que no fim de semana que antecedeu o carnaval, fomos comemorar um acontecimento festivo de família, lá na aprazível cidade de Cupira, num reencontro de José Gomes com sua filha Eliana Gomes.
Enquanto na varanda da casa conversam os adultos, a Vitória e o Pedro brincavam com os primos, que por sinal formam uma legião de crianças a correrem da porta da frente da casa para o quintal em um vai e vem interminável.
O quintal se divide em dois, uma parte em cimento expandindo uma área contígua à cozinha e a outra, um espaço em terra, reservado a plantas, galinhas, perus, até papagaios e saguis, em convivência harmônica naquele ambiente.
Foi então que algo chamou a atenção da Vitória. Era um bichinho caminhando no sentido da cozinha. Impávida como é, a Vitória, vendo o bichinho em seu lento caminhar, aproximou-se e se abaixou, próxima a ele. Este reagiu, parou e recolheu por completo o pescoço, quieto dentro da carapaça. Foi quando reclamou minha presença, aos gritos. – Pai, pai, venha ver, venha logo. – Estou indo. E fui, correndo, sem imaginar o que se passava. – Veja, pai. – Estou vendo, filha. Admirada, mostrava-me o bichinho, para ela sem “pescoço”.
Foi então que sentou-se no chão e pegou o animalzinho com incrível ternura e o colocou em seu colo. Daí começou a conversar como se tivesse encontrado seu amiguinho de turma do colégio, o Théo.
Depois de algum tempo acariciado, o bichinho começou a colocar a cabeça para fora da carapaça, recolhendo-a imediatamente, demonstrando empatia pelo gesto de carinho que lhe fazia a Vitória em sua cabeça, quando colocada para fora da carapaça, confirmando-se que para cada momento, exige-se uma atitude.
E o Pepe, onde entra nessa história? Assim que a Vitória colocou o bichinho no colo, a garotada chegou junto. Fizeram uma roda e passaram a ficar atentos às palavras e à atitude de Vitória para com o bichinho. Mas o Pepe é dado a se apresentar como quem toca bateria de escola de samba quando avança na avenida, dá no que dá... um barulho danado.
Uma palavra e outra dirigida ao animalzinho, um afago e nesse vai e vem de carinho da garotada, o Pepe quer tocar no bichinho e olhando para a irmã, como que pedindo permissão, põe a mão sobre o casco. No entanto, como é ele bem precavido, o inverso da irmã, quase não tocava no cágado.
Com a insistência do Pepe em passar a mãozinha no animal, a Vitória então pegou o bichinho e o colocou nas mãos do Pepe. Nesse momento, este achou de pôr a cabeça para fora da carapaça. Assustado, o Pepe soltou o bichinho. Por sorte, eu estava próximo e o apanhei antes que desabasse no chão.
Para terminar a história, quando chegamos em casa, a Vitória me questionou a respeito da diferença entre o cágado e a tartaruga. Assim, foi o jeito explicar, mas sem maiores detalhes, as distinções entre um e outro. Crianças e suas curiosidades.


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