
Do Gauchazh
O ex-deputado federal Ibsen Pinheiro morreu na noite desta sexta-feira (24), aos 84 anos. Ele realizava um tratamento de saúde no hospital Dom Vicente Scherer, na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, quando teve uma parada cardiorrespiratória. Ibsen morreu por volta das 21h. De acordo com a assessoria do MDB do Rio Grande do Sul, o velório do ex-deputado ocorrerá das 9h às 16h deste sábado (25) na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.
A notícia foi confirmada pela nora de Ibsen, Cassia Zanon. Ele estava no hospital fazendo quimioterapia. Segundo o filho, Marcio Pinheiro, foi descoberto há pouco tempo um mieloma múltiplo, um tipo de câncer na medula.
— Estava com uma saúde boa para um homem de 84 anos, com cuidados diários.
Ibsen morava no bairro Petrópolis, na Capital.
— Almoçamos ontem (quinta-feira), ele estava animado porque se sentia melhor. A sensação que fica é de que parecia que ele estava se despedindo da gente — conta Cassia. — Não é algo que a gente esperava, porque, apesar da idade, a cabeça dele estava como todos sempre conhecemos, lúcida, bem-humorada.
O MDB do Rio Grande do Sul emitiu uma nota de falecimento no final da noite desta sexta.
"A perda desse grande companheiro – uma das mentes mais brilhantes da política brasileira – deixa um vazio no coração do MDB de todo o Rio Grande do Sul e do Brasil", afirmou o partido.
A esposa dele, a jornalista Laila Pinheiro, morreu em 2013. Ibsen deixa dois filhos, a atual companheira e uma neta.
Nascido em São Borja em 5 de julho de 1935, Ibsen foi presidente da Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993. Em 1992, comandou a sessão que levou ao impeachment de Fernando Collor. Foi também presidente do PMDB do Estado, deputado estadual e vereador.
É conhecido ainda pela sua atuação como jornalista, procurador de justiça, promotor, advogado e ex-dirigente do Sport Club Internacional.
Início da carreira
Ibsen começou a sua carreira como jornalista, trabalhando na prefeitura de Porto Alegre entre os anos de 1959 e 1960. Durante a década de 1960, trabalhou na Rádio Gaúcha e no jornal Zero Hora, escrevendo principalmente artigos sobre esporte.
Em 1969, chegou pela primeira vez à vice-presidência do Internacional, em um grupo chamado "Os Mandarins", que ficou na história do clube por liderar uma era de conquistas que culminou com os títulos do Campeonato Brasileiro em 1975, 1976 e 1979.
Ibsen retornou aos microfones da Rádio Gaúcha em 1971. Na década de 1970, foi membro também do programa Sala de Redação, então apresentado por Cândido Norberto.
Ingresso na política
Ibsen foi eleito pela primeira vez em 1976, assumindo o cargo de vereador de Porto Alegre pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Conhecido por sua verve e sua qualidade no discurso, ele logo começou a despontar, elegendo-se deputado estadual em 1978 e deputado federal em 1983. Reelegeu-se em 1986, participando da construção da Constituição de 1988.
Atuação parlamentar
No início da década de 1990, Ibsen Pinheiro foi um dos nomes mais importantes da política nacional. Presidiu a Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993, liderando a casa legislativa durante o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992.
Afastamento
Em maio de 1994, diante do escândalo dos anões do Orçamento, Ibsen teve o seu mandato cassado por 296 votos favoráveis, 139 contra e 24 abstenções, em um processo controverso. A ação criminal, entretanto, foi arquivada por falta de provas em 1995.
Volta à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa
Ibsen se elegeu deputado federal em 2006. No ano de 2009, foi relator do texto que previa uma reforma política. O texto, entretanto, não foi adiante. Em 2010, relatou o projeto que previu a redistribuição dos royalties do pré-sal.
Ele também assumiu como deputado estadual em 2014, cumprindo seu mandato na Assembleia Legislativa até 2018. No ano de 2016, voltou ao Internacional como vice-presidente de futebol.
Repercussão
O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, lamentou a morte e disse estar muito emocionado.
— Ibsen estará sempre guardado no meu coração. Um exemplo pra mim. Tive a oportunidade de conviver e aprender muito com ele. Perdemos um homem público diferente — afirmou, em entrevista à colunista Kelly Matos.
Políticos, conselheiros do Inter, jornalistas,
familiares e amigos comparecem à Assembleia Legislativa do Estado na manhã deste sábado (25) para se despedir de Ibsen Pinheiro, 84 anos, que morreu na noite desta sexta-feira (24).

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