Quantas coisas evitei, que lembrassem minha querida mãe logo nos primeiros meses de sua passagem. Relutei naqueles momentos em escrever algo sobre ela. Devia-me isso e provavelmente agora passado pouco mais de um ano, deverei lhe dedicar algumas palavras. Qualquer dia desses, espero.
Mas hoje, a saudade bateu mais uma vez a minha porta e desta vez por um amigo e independentemente de qualquer interpretação desse sentimento é inevitável não senti-lo por aqueles que se vão. Em nosso viver nesse plano, queiramos ou não, haveremos de enfrentar muitas despedidas e cabe-nos guardar sempre as lembranças daqueles que conosco viveram.
Pois é, o meu amigo gostava de música, de seresta... Cantava e dedilhava as cordas de um violão. Também, pudera. Tinha uma alma de poeta. A saudade, essa coisa nossa de brasileiro, às vezes vem mansinha, outras tantas chega mais apressada e se instala dentro de nós de uma maneira única de sentir de cada um que por aqui lhe é permitido ficar mais um pouco, pois somos hóspedes nessa morada. Mas seja quão forte a saudade for, há que, aos poucos, ir se abrandando. É natural. Para se guardar lá no fundo do coração, de cada um dos amigos e familiares.
Assim, é que venho penhorar in memoriam o privilégio de tê-lo como amigo e de usufruir de sua convivência como confrade na Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras (ACACCIL) da qual foi um de seus mais ilustres e expressivos acadêmicos, figurando na galeria de seus fundadores. Entre tantas outras instituições de caráter cultural e profissional, foi também fundador da União Brasileira de Escritores - Núcleo Caruaru, e desta diretor jurídico.
Essa separação física que nos deixa órfão de sua amizade, de sua experiência e saber impede-nos de tê-lo conosco junto aos pares nas manhãs de cada último sábado do mês, lá no Casarão da rua 15 de novembro, 215, onde era presença constante desde 1982 trazendo suas valorosas e assertivas opiniões para o engrandecimento de nosso coletivo.
Como somos gratos!
É isso mesmo! Com todas as letras, sentiremos sempre a sua falta e de suas contribuições que no campo jurídico o tornou esteio da ACACCIL, tendo com certeza prestado prestimosa contribuição a outras instituições culturais e profissionais de nossa Caruaru.
Homem de grande generosidade, habilidoso, fortes características visíveis para quem com ele conviveu. Para a família, o amor era orgânico, ao trabalho, esmerava-se na dedicação e aos amigos, dedicava-lhes presença e companheirismo.
Como lembro de você, Walter, naquela mesa no Shopping, arrodeado por familiares ou amigos, tomando sua cervejinha antes do almoço, descontraindo-se dos afazeres profissionais intensos da semana.
Caruaru ficou de luto e desolada, pela perda de um dos mais ilustres e expressivos representantes do meio cultural, acadêmico e jurídico da municipalidade. Você, amigo, deixou sua marca na estrada da vida, e nessa trajetória não tolerou iniquidades ou injustiças sociais. Você foi simplesmente especial e nos deixou relevante legado de sabedoria e exemplo de vida.
Assim, para finalizar esse meu alinhavado texto, permita-me lembrar Cecília Meirelles: “Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem, como se não passassem. Livrando-as do tempo, salvando a sua essência de eternidade”. Pois é, a hora não é de tristeza, mas
de lidar com as recordações e com a saudade de forma positivamente alegre.
Ilustre e querido Walter Augusto de Andrade, não foi fácil encontrar as palavras para expressar nesse humilde texto a sua relevância, dividido como fiquei entre a formalidade que o contexto impõe e a intimidade fraterna de que gozávamos no cotidiano. Mas é isso, quem tem amigos sabe que eles estarão sempre no nosso presente e que a recordação será uma constante.
*Agildo Galdino - preside a Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras (ACACCIL) e também do núcleo local da União Brasileira de Escritores (UBE).
É professor e pesquisador. Tendo dezenas de crônicas e contos publicados em jornais e revistas muitos com cunho memorista.


4 comentários:
Que homenagem bonita, Agildo, ao Dr. Walter Andrade. Texto muito emocionante. Parabéns!!!
Um texto belíssimo, Agildo.
Expressou nosso sentimento geral de muita saudade e falta do nosso amigo, Walter Andrade. Sinto-me representada. Obrigada!
Malude Maciel
Muito bom o texto Agildo. Bem merecido.
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