21/04/20

BOLSONARO E A ALIANÇA DO AVESTRUZ Por Rivio Xavier Jr.*


A aliança do Avestruz! o apelido foi criado por Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, em uma referência ao mito de que o pássaro grande enterra a cabeça na areia quando enfrenta perigo. Esta semana a edição do jornal inglês Finacial Times, inseriu Jair Bolsonaro num seleto grupo de líderes mundiais formado por políticos que se negam a adotar medidas rígidas para combater a disseminação da Covid-19.

Ao lado de Alexander Lukashenko (Bielorússia), que diz que a cura estar em tomar vodca e ir para sauna; Gurbanguly (Turcomenistão), que no país está proibido falar o nome coronavírus e é um dos países mais fechados do mundo; Daniel Ortega (Nicarágua), que sumiu por quase um mês das aparições públicas, e se levantou até a hipótese dele ter morrido, mas estava em tratamento de saúde em cuba, tratamento esse que não foi divulgado qual seja e Bolsonaro que está entre os poucos chefes de Estado que se recusam a levar o coronavírus a sério.

O jornal diz que “Além dos riscos à saúde de suas populações essa negação pode acarretar custos políticos”. Na Nicarágua a população está pedindo a saída de Daniel Ortega enquanto no Brasil multidões participam de protestos batendo em panelas e gritando ‘’Bolsonaro assassino!”.

Bolsonaro repetidamente tem minimizado o coronavírus, classificando-o como ‘histeria’, seguindo o seu ídolo o presidente dos EUA, Donald Trump – que elogiou o medicamento antimalárico hidro-xi-clo-ro-quina como uma possível cura - Bolsonaro ordenou que laboratórios militares aumentem a produção da droga, sem que se tenha teste suficientes comprovados de sua cura e também joga o povo, ou melhor seus torcedores, contra as normas de saúde pedindo que encare essa doença como homens e não como crianças, pedindo que o povo volte a trabalhar, justo ele que passou 28 anos como parlamentar e só fez 2 projetos de lei, nenhum dos dois aprovados pelo pares. Ninguém recebeu tanto dinheiro sem produzir pelo que é pago como Bolsonaro. A hipocrisia é gritante!

O Financial Times que é um símbolo de impressa para os liberais de mercado, destaca ainda que Bolsonaro tem passeado pelas ruas gerando aglomerações e contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O ex capitão do Exército (que foi expulso por planejar um atentado a bomba no seu quartel), se gaba que sua habilidade atlética o manterá saudável. Diz que não existe filas em hospitais porque ele não vê e diz que tudo isso é uma articulação da esquerda para tira-lo do poder. Bolsonaro tem que colocar na cabeça que ele não é o centro do mundo e que o Brasil tem que ser governado para todos os brasileiros e não para os seus torcedores que vivem dentro de uma bolha fora do mundo real, onde se tem comunista que comem crianças e onde todos que pensam diferentes são inimigos.

Rívio Xavier -  Bacharel em direito, historiador, professor, analista de política internacional e assessor parlamentar.
Também colunista no Jornal de Caruaru.

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