Em defesa da arte e da classe artística de Caruaru, em especial da classe poética, venho expressar minha indignação pelo modo como os artistas de Caruaru são tratados, principalmente agora nessa época de pandemia. Não é de hoje que os artistas de Caruaru não são vistos como deveriam ser, principalmente os que fazem cultura popular. A falta de zelo pelos filhos da terra e os que adotaram Caruaru como lar é simplesmente gritante, pois artista em Caruaru só tem valor pra engrandecer o nome da cidade e não crescer junto com ela. Os que fazem forró na Capital do Forró passam o ano inteiro parados pra se apresentar apenas no São João por um cachê módico e receber dois meses depois ainda com o desconto do imposto, pergunto eu: Forrozeiro só come uma vez por ano?
No que diz respeito aos cantadores que residem em Caruaru – por sinal, são sete que estão entre os melhores do Brasil –, o ano Inteiro levamos para longe o nome de Caruaru, pois no decorrer do ano temos uma agenda a cumprir e aqui em Caruaru realizamos grandes eventos como cantorias e festivais, custeados por patrocinadores que nada têm a ver com a Prefeitura ou a Fundação de Cultura - pois essas, nas raríssimas vezes que ajudam com algo, passa ‘séculos’ pra pagar e não ajuda a todos, só os que lhes convêm. Eu vivo em Caruaru há vinte anos, faço festival há dez, nunca tive o privilégio de contar com um apoio, a única vez que levei um projeto não se deram ao trabalho nem de negar.
O Polo do Repente é o único espaço que participamos no São João, a cada ano é reduzido e o que deveria ser exclusivo do repente tornou-se uma mistura com linguagens artistas muito diferentes do repente. O festival em homenagem ao maior cantador da profissão (Ivanildo Vila Nova), e um dos artistas mais ilustres de Caruaru, que muito pouco é reconhecido aqui, passaram quatro meses pra pagar os artistas – e os participantes da edição ocorrida em novembro do ano passado só receberam em março deste ano.
Dito isso, quero externar o quanto me sinto indignado com a ação adotada pelo poder municipal de abrir um canal de doação para doar cestas básicas para os artistas, quando poderia dar dignidade com outras ações nas quais ganhássemos com o nosso suor e não da forma que foi proposta. Outras prefeituras de vários estados do Nordeste estão fazendo isso sem burlar nenhuma lei, pois a ação é legítima, mas parece que Caruaru não aprende a lição.
*Luciano Leonel é repentista

Um comentário:
Totalmente de acordo, parabéns Luciano.
Postar um comentário