Eu não lembro do mestre de monteiro
Onde tinha o pinto em sua frente
Mas o verso da mente era descente
No repente sempre foi o primeiro,
Chegou a trabalhar como vaqueiro
Hoje em dia lamentam com clamor
A partida causando muita dor
Sua ida ela foi sem fundamento
Se a morte tivesse sentimento
Não matava um poeta cantador.
Louro branco também tinha uma verve
Se tratando da arte do improviso
Do humor que saia do juízo
O seu verso ainda há quem preserve,
Ao mais jovem eu digo que observe
A História do grande trovador
Com viola mostrou o seu valor
Seu repente falou seu pensamento
Se a morte tivesse sentimento
Não matava um poeta cantador.
João pereira da luz também partiu
O famoso João paraibano
Em dois mil e catorze foi o ano
Que pro céu fazer verso ele subiu,
E as notas do pinho assim sumiu
Vai ficar sem tocar versos de amor
Porque João no repente era mentor
E mostrava pra todos seu talento
Se a morte tivesse sentimento
Não matava um poeta cantador.
Sempre tive o sonho de conhecer
Valdir Teles, o rei da cantoria
Escutar sua voz dava alegria
Eu queria ter tido esse prazer,
Mas a vida sem a gente entender
Trás instantes de pânico e de dor
E destrói a mente de um sonhador
Que queria guardar esse momento
Se a morte tivesse sentimento
Não matava um poeta cantador.
Ao morrer mais um nobre repentista
As retinas da plateia que sofre
É tesouro que sobe para o cofre
Do divino poeta instrumentista,
Quando a foice leva mais um artista
Só demonstra seu grande desamor
Essa peste é grande devastador
E maltrata sem ter ressentimento
Se a morte tivesse sentimento
Não matava um poeta cantador.
*Jefferson Moisés Domingos da Silva - Poeta Declamador e Cordelista, membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel e admirador da Cultura e sertão nordestino.


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