14/06/20

SONETO VIII - Sor Juana Inés de la Cruz

Que é isto, Alcino, como tua cordura
        se deixa assim vencer de um mal invejoso
        fazendo com os  extremos de furioso
        demonstrações mais que de loucura?

        Em que te ofendeu Célia, quando se apura?
        Ou por que ao amor culpas de enganoso
        se não garantiu nunca poderoso
        a eterna posse de sua formosura?

        A posse de coisas ocasionais,
        e temporário é, Alcino, e é abuso
        o querer conservá-las sempre iguais.

        Com que teu erro ou tua ignorância acuso,
        pois fortuna e amor, de coisas tais
        a propriedade não dão, apenas o uso.

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