Na semana passada, uma investigação sobre o destino dos recursos doados ao MBL, o Movimento Brasil Livre – entidade supostamente sem fins lucrativos, que surgiu nas campanhas pelo impeachment de Dilma Rousseff. Empunhando a bandeira da luta contra a corrupção, o MBL juntou um significativo patrimônio político, com 2,5 milhões de seguidores no Facebook e alocou até representantes de mandatos Brasil a fora, como o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) uma das faces mais famosas do grupo.
Entretanto, de acordo com o inquérito aberto por iniciativa do Ministério Público Federal, descobriu-se que o dinheiro obtido com doações, vendas de produtos e filiações ao MBL são destinados a uma associação privada, identificada na Receita Federal como Movimento Renovação Liberal (MRL), registrada em nome de quatro pessoas, entre as quais 3 irmãos: Alexandre, Stephanie e Renan Santos, este último o coordenador nacional do MBL, segundo informações do próprio Ministério Público.
Como expoente anti corrupção, o MBL consagrou-se pelo moralismo, opondo-se às práticas políticas que desaguam na corrupção. A revelação da natureza da entidade, que proclama o bem da Nação enquanto enche a conta bancária de seus criadores, desmoraliza o moralismo do MBL.
Não é só o MBL que parece uma coisa e era outra. Os exemplos são muitos e o maior deles está no Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro começou o governo com o compromisso de acabar com a corrupção, em oposição ao mesmo PT. Hoje, seu governo depende da distribuição de cargos ao centrão e ele já passa mais tempo ocupado em proteger-se dos inquéritos sobre as fake news e o escândalo que envolveu seu filho Flávio e o ex-assessor Fabrício Queiroz no Rio de Janeiro que propriamente em governar.
Outro moralista é o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Entronizado no cargo como o Hércules que limparia as Cavalariças de Áugias fluminenses, Witzel de investigador passou a investigado por fraude na compra de respiradores para UTIs durante a pandemia. Na 6ª feira, seu ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, foi preso sob acusação de participação em organização criminosa e peculato.
E os falsos moralistas se espalham pelo país, não somente na política mas em meio a sociedade civil, onde os imoralizados moralistas jogam na face do outro aquilo que nunca o foram. O problema com o moralismo é que o moralista tem de ter moral. Fazer pose de moralista é fácil, o dizer é viver segundo suas próprias regras. Vale o dito saído dos evangelhos: atire a pedra quem nunca pecou. No Brasil, dominado por uma hipocrisia deslavada, qualquer moralismo é desmoralizado.
*Rivio Xavier Jr. é professor historiador, analista de política internacional, colunista da rádio liberdade e do jornal de Caruaru, podecaster e assessor parlamentar.
*O artigo não expressa necessariamente a opinião deste blog.


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