30/08/20

O Farol - Victor Silva

Na amplidão do mar alto entre as vagas se apruma 
O vulto do farol como uma sentinela;
Estardalhaça o vento, e a rugir se encapela
A água negra do mar em turbilhões de espuma.
Enche a trágica noite, atroa e se avoluma 

Um insano clamor nas asas da procela: 
É a morte! E ao temporal que as vagas atropela 
Rodopiam as naus na escuridão da bruma.

Mas, súbito um clarão a espessa treva inflama, 
Acende o mar bravio, ilumina os escolhos,
E guia o rumo às naus contra os parcéis da morte...

É a vida! É o farol que escancarando os olhos, 
Vira e revira em torno as órbitas de chama, 
Ora ao Norte, ora ao Sul, ora ao Sul, ora ao Norte...

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