Pai Nosso, que estás no Céu, E em meu coração também, Santificado é Teu nome No Reino que de Ti vem. Quero, Pai, Te agradecer Pela graça de viver No meu Nordeste feliz, Que eu digo, ou até grito: O pedaço mais bonito Que existe neste país!
Te agradeço pela graça Da tela que se emoldura, Pois a chuva, quando passa, Passa trazendo fartura. O campônio, bem contente, Cava o chão, bota a semente Que morre sem ser ferida, Novo rumo a vida trilha: Nasce a planta, como filha Na terra que engravida. Te agradeço nesta estrada O palácio da palhoça, Por ter a mão calejada Da rude lida na roça. Acordar sentindo o cheiro Do café no fogareiro Feito por minha mulata, Ver o Sol raiar a luz Comendo sopa, cuscuz, Queijo de coalho ou batata… Eu sou grato pelas farras Dos pássaros nos arvoredos, Pelas canções das cigarras Que são cheias de segredos, Pela graça do Evangelho Que faz novo o homem velho Num espetáculo divino Que Cristo dá por troféu: Me fez cidadão do céu Me mantendo nordestino. Te agradeço, mas te peço Com o coração contrito: Que me livre do insucesso, De briga, foice e atrito; Que me livre do mau homem Com valores que se somem Como poeira nos pés, E me livre do falso dote E do peso do chicote Dos modernos coronéis. Proteja minha família Onde meus filhos despontam Contra os papéis Brasília Que a toda família afrontam. Me livre da triste sina De mudar minha rotina Do campo para a cidade; Ver a família mudada: Minha filha viciada E meu filho por trás da grade… Me livra do desafeto De perder a minha flor Que ela é sob meu teto Um pedestal do amor, Que as lições da novela Não façam a cabeça dela E ela mude de consórcio Dizendo que é mais moderno Jogar o amor eterno Na fogueira do divórcio… Me livra, Senhor, também, De encontrar bala perdida, De perder o meu vintém Pro ladrão que tira a vida, De faca, foice, peixeira, Riso de mulher faceira, Conversa besta de seita, Pra não me acordar na lama De um quarto em que a cama Foi pelo Inimigo feita. Envia, Senhor, Teus anjos Dos mais bonitos corais Pra me envolver em arranjos De coros celestiais! Me dê o pão do amor Pra todo canto que eu for Lavrar sementes do bem E dar pão a quem tem fome. Glorificando o Teu nome Pra século sem fim. Amém.


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