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| Foto (LUMO project) |
Aqueles dias eram de tensão social na Judeia e toda a Palestina. Em Jerusalém, centro do poder financeiro, político e religioso, com ênfase no judaísmo, planejavam ações de grupos clandestinos contra a ditadura romana imposta e representada por Herodes e o procurador jurídico, Pôncio Pilatus. Desde que o império Romano deu um golpe de Estado e impôs uma ditadura com mão de ferro, nos idos de 63 A.C, Jerusalém fervia politicamente.
Semanas antes uma tentativa de motim culminou com a morte de um centurião (soldado romano) esfaqueado por Barrabás, um dos revoltosos. Ele fazia parte dos Zelotes, grupo que difundia uma luta armada para expulsão dos romanos. Barrabás estava preso, aguardando a sua sentença. Na lei romana, crime desse tipo tinha como sentença a pena de morte, por crucificação .
Poucos dias antes daquele domingo, o mesmo personagem, o nazareno Jesus, foi visto no templo sagrado para os judeus, (templo esse que levou 46 anos de construção) num comportamento imprevisto, ameaçou destruir o templo e reerguer em 3 dias, quebrou objetos de adoração, empurrou frequentadores, interrompeu a cerimônia e de chicote em punho gritou em alto e bom som: A casa do meu Pai é para orações, e vós transformastes ela num covil de ladrões! (João 2, versos 15-16).
Estima-se que estavam ali em torno de 300 mil peregrinos, que foram celebrar a Páscoa, instituída por Moises, 1.250 anos A.C
A sociedade ficou assustada, pois não esperavam nem entenderam esse gesto de tamanha violência. Anás e Caifás, com sua influência política, trataram de preparar uma denúncia imediata. Líderes religiosos chamados de ladrões, foram profanados, agitação social contra as autoridades... imperdoável!
E agora, naquele domingo, o mesmo Jesus entra em Jerusalém, triunfal, com uma multidão aclamando pelas ruas da cidade: Eis o Rei dos Judeus! Abriram o caminho com ramos de palmeiras, e colocavam tecidos como tapetes para receber sua majestade.
Imediatamente a notícia se espalha por toda a cidade e chega até Herodes, que estremece no trono sob tal ameaça. “Que rei dos Judeus poderá haver se não eu que estou no poder em nome de Roma e do todo poderoso César! É um outro motim, vamos debelar a sangue, no fio da espada e na sentença de morte. Ergam as cruzes, sentirão a força do meu poder.” Essa frase não está registrada na História, é autoral para ilustrar o que pode ter ocorrido como reação do rei Herodes. Nos bastidores do poder, José de Arimateia, ilustre senador, começou a mover-se discretamente, antevendo os fatos que ocorreriam com o seu Mestre.
E foi assim o hoje celebrado Domingo de Ramos, cinco dias antes da crucificação de Jesus Cristo, o nazareno revolucionário, seja no amor, seja na força social.
Está nas Páginas da História!
*Prof. José Urbano Silva
é Historiador e Pesquisador, também preside o Conselho Municipal de Política Cultural


Um comentário:
Excelente matéria parabéns
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