Entre 1963 e início de 1964 uma ampla conspiração golpista era executada pelas classes dominantes brasileiras, visando a derrubada do presidente João Goulart. Do outro lado, movimentos sociais da cidade e do campo, estudantes, sindicatos, militares legalistas e setores progressistas da sociedade, saiam em defesa do presidente Jango, sobretudo em função do programa das Reformas de Base, que visava democratizar o Estado brasileiro e ampliar a participação popular.
Nesse contexto, o caruaruense Severino Viana Colou, presidente da Associação dos Cabos e Soldados do antigo Estado da Guanabara, era um dos tantos membros da classe trabalhadora, que defendia a constituição e combatia as aspirações golpista contra João Goulart.
Com o golpe de primeiro de abril de 1964 e a vitória dos golpistas, Severino Viana foi, assim como todos os militares legalistas, duramente punido. Um pouco mais de uma semana após o golpe, com a decretação do Ato Institucional n° 1, Viana Colou é expulso da Polícia Militar e preso. Em dezembro, indultado pelo ditador/presidente Castelo Branco, deixa a prisão e logo procura seus ex-companheiros de associação para discutirem formas de combater o governo ditatorial.
No entanto, com o progressivo endurecimento da ditadura, caracterizado pela censura, cassação de mandatos, prisões torturas e assassinatos de opositores, a possibilidade de confrontar o governo militar se reduzia praticamente à zero. A partir dessa constatação, Severino Viana e seus companheiros vislumbraram na luta armada a única tática possível para enfrentar a ditadura. Para tanto, fundam, em meados de 1968, o Comando de Libertação Nacional, organização de guerrilha urbana, que visava fazer o enfrentamento armado contra o governo ditatorial.
Após a realização de diversas ações armadas e trabalho de formação política junto à camponeses da região de Cachoeiras de Macacu no RJ, Viana Colou passa a ser um dos homens mais procurados pela repressão. É preso em 21 de maio de 1969 e levado ao quartel da Polícia do Exército na Vila Militar, local conhecido por ser um dos principais centros de tortura da ditadura militar. Submetido a bárbaras sessões de torturas durante três dias, Severino é assassinado no dia 24 de maio de 1969.
Severino Viana Colou, pelo seu legado de luta contra a ditadura militar, merece ser lembrado como exemplo de brasileiro que não se calou, pois exerceu com bastante convicção o legítimo direito de resistência à tirania. É, portanto, um filho guerreiro de nossa terra, um lutador do povo, que muito nos enche de orgulho.
Como ato de justiça à memória histórica de nosso povo, devemos ter em mente que, Caruaru não é somente a terra do Mestre Vitalino, de Nelson Barbalho, José Condé e outros filhos ilustres. É, também, a terra do guerrilheiro Severino Viana Colou.
LANÇAMENTO:
Lançamento do livro: "Ao combate! A trajetória do guerrilheiro Severino Viana Colou"
Hoje (09/06), às 19h
Local: Auditório do SINDEC, Rua do Norte, 38, Centro.
O livro é resultado de uma pesquisa realizada entre 2015 e 2019. Aborada a militância política do caruaruense Severino Viana Colou, que participou da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Severino foi assassinado em 1969 no quartel da Vila Militar no RJ, após seguidas sessões de tortura. O livro é de autoria dos historiadores Fred Santiago e Denys William
*Fred Santiago é professor de história


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